Alcolumbre deve tomar alguma providência, diz Valdemar sobre investigação
À CNN, presidente do PL diz que já recebeu ligação de Hugo Motta: "Ele ficou muito preocupado com o processo"
Em entrevista à CNN, o presidente do PL (Partido Liberal), Valdemar Costa Neto, disse neste sábado (11) que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deve tomar alguma "providência", no que diz respeito à investigação da PF (Polícia Federal) sobre emendas parlamentares.
Valdemar, que foi alvo de operação na última sexta-feira (10), disse que já recebeu, inclusive, uma ligação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
"Ele ficou muito preocupado com o processo [Hugo Motta]. Ele ficou muito preocupado", afirmou.
"Eu acho que o Alcolumbre também deve tomar alguma providência no Senado. Por que isso é política, é feita dessa forma. O que não pode é fazer emenda errada, pra órgãos que não são sérios, alguma associação, agora emenda séria, os municípios dependem disso, e o dinheiro não da pra todos, por isso fazemos essa divisão", acrescentou.
Na manhã deste sábado, Hugo também enviou nota à imprensa na qual classifica a decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), de "indevida intervenção judicial".
"A decisão em questão não identifica desvio, abuso ou aplicação irregular de verbas públicas. Limita-se a inferições e a tentar criminalizar a atividade política", informou.
Ainda de acordo com ele, a medida torna-se inaceitável "tendo em vista que a alocação das emendas está em plena conformidade com a moldura normativa vigente e com os compromissos institucionais firmados entre o Executivo e o Legislativo perante a própria Corte Constitucional".
A investigação
Segundo investigação da PF, Valdemar teria indicado ao menos 21 emendas parlamentares que totalizariam R$ 119 milhões, o mesmo valor que o STF pediu para bloquear do patrimônio dele.
Por não ser parlamentar, o presidente do PL teria utilizado servidores da Câmara dos Deputados para direcionar verbas públicas de forma oculta, por meio de registros fraudulentos.
Tais registros se baseavam na manipulação de documentos e sistemas orçamentários, colocando nomes de deputados reais. Dessa forma, as solicitações de emendas eram repassadas aos ministérios com um aspecto lícito.
A investigação teve origem na Operação Transparência, deflagrada em dezembro de 2025 para apurar possíveis fraudes na destinação de emendas e o descumprimento das regras de transparência e rastreabilidade fixadas pelo STF.
"O encaminhamento direcionava essas emendas alocando, falsamente, deputados federais como 'solicitantes' das indicações, a fim de conferir ares de legalidade às indicações formalizadas conforme diretrizes de um não parlamentar", menciona a decisão.
Dino determinou que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), apresente em até dez dias documentos sobre as emendas parlamentares que seriam ligadas a Valdemar Costa Neto.


