A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) encaminhou ofícios ao Ministério Público e às polícias Civil e Militar cobrando explicações sobre a megaoperação contra o crime organizado realizada na terça-feira (28), considerada a mais letal da história do estado.
Segundo a deputada Dani Monteiro (PSOL), presidente da comissão, a ação transformou as favelas do Rio em “cenário de guerra”.
A parlamentar criticou a condução das forças de segurança e classificou a operação como mais um episódio de violência contra moradores de comunidades.
“A gente está se deparando novamente com uma operação policial violenta, que vitima a favela, que traumatiza os favelados, que expõe ao risco os agentes de segurança, e tudo isso baseado numa lógica de confronto que não acaba com o crime organizado”, afirmou Dani Monteiro.
“Ao se deparar com vitimação dos seus agentes — já há gente que vieram a óbito, outros tantos baleados — é, ganha esses contornos de operação vingança”, completou.
Dani Monteiro destacou que a comissão acompanha o caso com preocupação e defendeu que a segurança pública deve ser pautada em planejamento, inteligência e respeito à vida.
“Quando o Estado entra com operações que custam milhões aos cofres públicos, ele deixa de abrir equipamentos de saúde, de educação. Então, infelizmente, a gente passa por uma situação que já vivenciamos", disse.
"Há mais de duas décadas o Estado do Rio de Janeiro investe na lógica bélica de confronto que não acaba, muito pelo contrário, só amplia o domínio das organizações criminosas”, acrescentou a deputada.
Na manhã desta quarta-feira (29), a Comissão de Direitos Humanos iniciou atendimentos no Complexo do Alemão, em parceria com instituições civis. O objetivo é acompanhar os desdobramentos da operação, ouvir a população, auxiliar no reconhecimento dos corpos e cobrar explicações do governo estadual.
Entenda o caso
A megaoperação realizada pelas forças de segurança do Rio de Janeiro na terça-feira (28) deixou ao menos 119 mortos, 58 corpos foram localizados no dia da ação e outros 61 foram encontrados em uma mata nesta quarta-feira (29).
Além disso, foram presos 113 suspeitos, sendo 33 de outros estados, e 10 menores apreendidos.
Os agentes ainda apreenderam 118 armas, 91 fuzis, 26 pistolas, um revólver, 14 artefatos explosivos e toneladas de drogas, que ainda não foram totalmente contabilizadas.
*Com informações da Agência Brasil e publicado por João Scavacin, da CNN