Alerj pede explicações por operação que transformou o RJ em “guerra”

Comissão de Direitos Humanos da Assembleia enviou ofícios ao MP e às polícias após ação que deixou dezenas de mortos nas favelas do Rio; parlamentares denunciam “lógica de confronto” e iniciam atendimento a vítimas no Alemão

Da CNN Brasil
Megaoperação Rio de Janeiro
Corpos enfileirados em rua do Rio de Janeiro após operação policial mais letal da história da cidade  • REUTERS/Ricardo Moraes
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A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) encaminhou ofícios ao Ministério Público e às polícias Civil e Militar cobrando explicações sobre a megaoperação contra o crime organizado realizada na terça-feira (28), considerada a mais letal da história do estado.

Segundo a deputada Dani Monteiro (PSOL), presidente da comissão, a ação transformou as favelas do Rio em “cenário de guerra”.

A parlamentar criticou a condução das forças de segurança e classificou a operação como mais um episódio de violência contra moradores de comunidades.

“A gente está se deparando novamente com uma operação policial violenta, que vitima a favela, que traumatiza os favelados, que expõe ao risco os agentes de segurança, e tudo isso baseado numa lógica de confronto que não acaba com o crime organizado”, afirmou Dani Monteiro.

“Ao se deparar com vitimação dos seus agentes — já há gente que vieram a óbito, outros tantos baleados — é, ganha esses contornos de operação vingança”, completou.

Dani Monteiro destacou que a comissão acompanha o caso com preocupação e defendeu que a segurança pública deve ser pautada em planejamento, inteligência e respeito à vida.

“Quando o Estado entra com operações que custam milhões aos cofres públicos, ele deixa de abrir equipamentos de saúde, de educação. Então, infelizmente, a gente passa por uma situação que já vivenciamos", disse.

"Há mais de duas décadas o Estado do Rio de Janeiro investe na lógica bélica de confronto que não acaba, muito pelo contrário, só amplia o domínio das organizações criminosas”, acrescentou a deputada.

Na manhã desta quarta-feira (29), a Comissão de Direitos Humanos iniciou atendimentos no Complexo do Alemão, em parceria com instituições civis. O objetivo é acompanhar os desdobramentos da operação, ouvir a população, auxiliar no reconhecimento dos corpos e cobrar explicações do governo estadual.

Entenda o caso

A megaoperação realizada pelas forças de segurança do Rio de Janeiro na terça-feira (28) deixou ao menos 119 mortos, 58 corpos foram localizados no dia da ação e outros 61 foram encontrados em uma mata nesta quarta-feira (29).

Além disso, foram presos 113 suspeitos, sendo 33 de outros estados, e 10 menores apreendidos.

Os agentes ainda apreenderam 118 armas, 91 fuzis, 26 pistolas, um revólver, 14 artefatos explosivos e toneladas de drogas, que ainda não foram totalmente contabilizadas.

*Com informações da Agência Brasil e publicado por João Scavacin, da CNN