45% dos tiroteios no Rio ocorrem a até 300 metros de escolas
Mais de um terço desses casos envolvem agentes da polícia
Nos últimos oito anos, 45% dos tiroteios registrados na região metropolitana do Rio de Janeiro ocorreram a menos de 300 metros de alguma escola. Em mais de um terço desses casos, houve envolvimento de agentes da polícia.
Os números constam em uma manifestação encaminhada ao STF (Supremo Tribunal Federal) pelo MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) no dia 23 de outubro — cinco dias antes da operação mais letal da história do estado.
No parecer, o MP se manifesta contra um pedido da Defensoria Pública do Rio para proibir operações policiais em um raio de 500 metros de escolas. O órgão diz que a medida é inviável.
"Bairros e comunidades inteiras seriam zonas de acesso vedado às forças de segurança", justifica o MP, que defende a manutenção da decisão original do Supremo na chamada "ADPF das Favelas".
A Corte não restringiu operações policiais perto de escolas, mas determinou "respeito rigoroso às exigências de proporcionalidade no uso da força, especialmente no período de entrada e saída" dos estudantes e servidores.
De acordo com o MP, desde 2017, cerca de 65,6% dos tiroteios registrados próximos a escolas não tiveram a participação das agentes estatais, "apenas integrantes de organizações criminosas".
"A vedação à presença de forças de segurança nas proximidades de escolas acarretará um recrudescimento dos confrontos, vulnerabilizando ainda mais as crianças já tão impactadas por episódios de violência armada."
O MP informa ao Supremo que está em curso a expansão de um sistema automatizado de comunicação aos gestores da educação, para, quando houver operação, agilizar as medidas necessárias para proteger alunos e servidores.
Devido à megaoperação contra o CV (Comando Vermelho) que deixou mais de cem vítimas no Rio, a Secretaria Municipal de Educação suspendeu as aulas nas escolas dos complexos do Alemão e da Penha.
RJ: escolas e faculdades têm aulas suspensas nesta quarta após megaoperação
Conforme mostrou a CNN Brasil, a Ouvidoria da Defensoria foi acionada na véspera. A desconfiança sobre a operação surgiu porque pais foram alertados pelas escolas para não enviarem as crianças à aula no dia seguinte.
O Supremo aguarda, ainda para esta quarta-feira, uma manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre eventuais providências a serem cobradas do governador do Rio, Cláudio Castro.
Em entrevista coletiva, Castro disse que a operação "foi um sucesso" e que as únicas vítimas são os quatro policiais mortos no confronto armado. A Defensoria contabiliza 132 mortos até o momento.



