Alvo de críticas, procuradora de SP pediu ajuda a Aras em maio
Pedido foi um dos motivos apresentados pela equipe da investigação em São Paulo para pedir o desligamento coletivo

A procuradora Viviane Martinez, desafeto da equipe da Lava Jato em São Paulo, pediu ao procurador-geral da República, em maio, uma solução para problemas na distribuição de processos na unidade do MPF que chefia no estado. Este foi um dos motivos apresentados pela equipe da investigação em São Paulo para pedir o desligamento coletivo.
Quando um processo chega ao MPF, ele deve ser distribuído livremente. O procurador que recebe o caso avalia se há conexão com outros procedimentos já em andamento e, se for o caso, encaminha para o colega responsável. Era esse trâmite que Martinez alegou ser falho e não respeitar a livre distribuição.
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Martinez relatou a Aras que teve explicações da equipe. Segundo ela, os integrantes da força-tarefa “analisam as conexões de acordo com as linhas de investigação que previamente estabeleceram e que desejam se transformar em uma unidade de investigação e inteligência vinculada à PGR”.
A Lava Jato está sob o guarda-chuva do 5º Ofício Criminal Especializado, uma espécie de vara judiciária no Ministério Público, que está sob a responsabilidade de Viviane Martinez. Além da operação, há investigações de crimes que não estão necessariamente relacionados a ela, como lavagem de dinheiro, contra o sistema financeiro e contra a administração pública. Diante de tamanho leque de casos, ela demonstra preocupação a Aras caso a Lava Jato seguisse vinculada a tal unidade.
“Daqui a pouco, minha atuação estará inviabilizada, pois estou me responsabilizando pessoalmente pela atuação de mais oito colegas, cujo ritmo de trabalho é extremamente difícil de acompanhar, dificuldade essa que é agravada pelo nível de sigilo que se impõe à atuação deles”, relatou. Viviane diz ter acertado com os colegas que ficaria com os casos que não tratassem da operação.
Como solução ao impasse, Martinez sugere a Aras que ele decida se mantém a força-tarefa de São Paulo vinculada ou não ao 5º Ofício, de forma a facilitar a estratégia de distribuição dos processos.
“Me coloco à disposição para que possamos resolver tudo da melhor forma possível, pois estou inteiramente de acordo e imbuída no propósito de possibilitar que nossos valorosos colegas da FTLJ-SP façam o trabalho para o qual Vossa Excelência os nomeou, razão pela qual não adotei nenhuma medida drástica para solução dos problemas ora reportados”, finalizou a procuradora.
Martinez recuou em decisão sobre dados sigilosos a Aras
O desabafo de Martinez foi dado no ofício em que Augusto Aras solicita acesso a dados da Lava Jato em São Paulo, fato que, no Paraná, externou a crise das forças-tarefas com a PGR. Em 18 de maio, a procuradora negou o repasse das informações sigilosas alegando que não tinha acesso ao material por não ser a coordenadora da força-tarefa em São Paulo.
A negativa, no entanto, veio após ela ser repreendida pela força-tarefa. Ao dar a ordem de cumprimento ao pedido de Aras, a procuradora afirma que foi “devidamente interceptada pelos colegas da força-tarefa”.
Os procuradores, segundo ela relata, informaram que o ofício do procurador-geral era direcionado a eles e que ela não poderia decidir sozinha. Martinez concordou. “Além de não ser a coordenadora da FTLJ-SP, nem sequer membro dela, não estou em poder de dados que Vossa Excelência já não tenha acesso através de nossos sistemas informatizados”.