Americanas: Saída de recuperação judicial acendeu alerta na PF

Segundo apuração de Larissa Rodrigues, operação da Polícia Federal apura se dados do plano de recuperação da varejista foram adulterados após pedido de encerramento do processo

Da CNN Brasil
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A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (25), uma operação para investigar eventuais irregularidades no rombo financeiro das Lojas Americanas. Segundo apuração da analista de Política Larissa Rodrigues, um detalhe específico acendeu o alerta das autoridades: o pedido da empresa para encerrar o processo de recuperação judicial, protocolado em março deste ano.

"O pedido para sair do processo de recuperação judicial da Americanas, que aconteceu em março, foi uma 'pulguinha', que acendeu um alerta dentro da Polícia Federal", relatou Larissa ao Bastidores CNN desta quinta-feira, com base em suas fontes.

A partir desse pedido, a PF passou a investigar se, de fato, a empresa havia cumprido integralmente o plano de recuperação e se estaria em condições reais de encerrar o processo.

A varejista está em recuperação judicial desde 2023, na 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. No início de abril, a empresa protocolou um pedido solicitando o fim desse processo, afirmando ter cumprido 100% do plano de recuperação e que suas finanças já estariam regularizadas.

A investigação, portanto, busca determinar se o plano de recuperação foi seguido legalmente. A grande questão levantada pela Polícia Federal, de acordo com a analista, é se os dados informados no plano de recuperação podem ter sido adulterados, como foi em outras gestões.

Segundo as apurações, há indícios de que informações prestadas ao mercado financeiro podem ter sido falsificadas. "Estariam ali postando nos balanços informados de que teriam recebido algumas verbas que, de fato, não teriam existido", explicou Larissa.

A investigação também apura se houve negociações irregulares com credores, supostamente influenciadas por acionistas que, mesmo sem atuar diretamente na empresa, ainda teriam poder de interferência no processo.

Larissa destacou que a maioria dos alvos da operação desta quinta-feira não atua nas Lojas Americanas atualmente, sendo a empresa gerida por uma nova equipe.

No entanto, a PF investiga se acionistas ligados à gestão anterior continuariam a influenciar o processo de recuperação judicial. Entre os alvos, foram identificados também gestores de instituições bancárias.

A Americanas apresentou seus argumentos por meio de nota e negou irregularidades.

Confira a íntegra da nota:

A Americanas refuta qualquer ilação que correlacione o seu pedido de encerramento da Recuperação Judicial, realizado em março de 2026, com a nova fase da Operação Disclosure da Polícia Federal, que investiga as fraudes nos balanços da Companhia até 2022, praticadas pela antiga diretoria da Americanas.

A Companhia é monitorada pelo juízo da recuperação judicial e não há qualquer questionamento da PF ao juízo da recuperação, que é o tecnicamente competente para essa avaliação.

A Companhia lembra que, nos termos da legislação vigente, o pedido de encerramento da recuperação judicial considera o cumprimento das obrigações previstas no plano após 02 anos de sua aprovação. Até o momento, tanto o Ministério Público como o Administrador Judicial se manifestaram favoravelmente à solicitação. O Plano de Recuperação Judicial prevê o cumprimento de pagamentos de credores até 2059.

Com postura colaborativa em relação às diferentes investigações e ciente de que a Justiça cumprirá o seu papel, a Americanas segue transformando seu negócio para atender cada vez melhor seus milhões de clientes.

Neste novo capítulo de sua história quase centenária, a Companhia trabalha uma estratégia com foco em crescimento sustentável, pautada em uma nova experiência do cliente nas lojas físicas, o coração do negócio, em um e-commerce remodelado para apoiar a operação multicanal e no aumento da oferta de serviços financeiros. Os resultados deste plano, executado com resiliência, já começam a ter efeitos positivos e verificáveis nas últimas divulgações dos balanços trimestrais.

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