Análise: Bets e religião dominam reta final do 1º turno

Segundo analista de Política da CNN Isabel Mega, ao Live CNN, proibição das apostas online e fake news sobre Nossa Senhora Aparecida movimentam estratégias eleitorais de Lula e Flávio Bolsonaro

Da CNN Brasil
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Na reta final do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, dois temas dominam o debate político brasileiro: o combate às plataformas de apostas online e a disputa pelo eleitorado religioso. A avaliação é da analista de Política da CNN Isabel Mega, ao Live CNN, que detalhou como esses assuntos estão sendo estrategicamente explorados pelos diferentes campos políticos.

Segundo Isabel Mega, os temas estão conectados e revelam o esforço das campanhas em conquistar segmentos específicos do eleitorado nas semanas que antecedem o primeiro turno.

A proibição das bets e o cálculo eleitoral

A medida que proíbe as bets, editada na reta final antes do primeiro turno, é interpretada como um aceno estratégico a públicos amplos. "Lula está falando com a baixa renda, Lula está falando com mulheres que são chefes de família, que estão vendo seus maridos se endividarem por causa das bets", afirmou Isabel Mega.

Além disso, há uma conexão histórica do eleitorado evangélico com a oposição a cassinos online, o que torna o tema ainda mais sensível do ponto de vista eleitoral.

O bolsonarismo, por sua vez, encontra-se em posição delicada diante do assunto. Embora seja crítico à atuação das empresas de apostas, não pode elogiar a decisão tomada.

A saída encontrada foi traçar um histórico, argumentando que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trabalhou pela regulamentação das bets e que a proibição, às vésperas das eleições, teria caráter eleitoreiro.

Nessa linha, Flávio Bolsonaro (PL) passou a caracterizar Lula como "o pai do tigrinho". Do lado do PT, a resposta foi resgatar declarações anteriores em que Lula teria dito que regulamentaria as bets e, caso não funcionasse, as proibiria — apresentando a medida como resultado de um processo legítimo.

A fake news sobre Nossa Senhora Aparecida

Paralelamente, uma fake news envolvendo Nossa Senhora Aparecida ganhou repercussão e passou a alimentar a conexão da esquerda com o eleitorado católico.

Em entrevista ao "Canal Livre" da Band, Lula foi questionado pela jornalista Adriana Araújo sobre o tema, mas, em vez de desmentir a desinformação, recuperou episódios em que a imagem da santa teria sido agredida.

Já Flávio Bolsonaro, sem apresentar provas, insinuou responsabilidade do PT e da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) pela disseminação da fake news. A CNBB reagiu com uma nota oficial de tom firme, afirmando que mentira não se combate com outra mentira.

Diante do desgaste gerado pela fake news, Isabel Mega afirmou que Flávio Bolsonaro se apressou em confirmar presença no debate da Rede Globo, marcado para quinta-feira (1°), vendo no evento uma oportunidade para desmentir informações de que teria atuado nos bastidores para retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil.

Do outro lado, a campanha do PT comemorou a recepção do conjunto de notícias recentes — que inclui, além da proibição das bets, temas como canetas emagrecedoras e reajuste do Bolsa Família —, avaliando que o governo conseguiu, na reta final, um conjunto de pautas favoráveis a Lula que podem ajudar a conquistar mais votos antes do primeiro turno.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.