Análise: Bolsonarismo vive luto após retirada da Lei Magnitsky de Moraes
Analista Pedro Venceslau, no CNN 360°, afirma que decisão dos EUA abalou estruturas do bolsonarismo, que agora busca reorganizar discurso para as eleições de 2026
O governo dos Estados Unidos retirou o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, da lista de sanções da Lei Magnitsky. A decisão causou forte impacto no cenário político brasileiro, especialmente entre apoiadores do bolsonarismo. Segundo o analista de Política Pedro Venceslau, no CNN 360°, o clima entre os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é de profundo abatimento.
"O clima é de luto realmente, o clima é de profunda tristeza no bolsonarismo, eles ficaram realmente muito abalados e muito abatidos", afirmou o analista.
De acordo com Venceslau, a oposição, mais precisamente o PL (Partido Liberal), está buscando uma saída honrosa para a situação, mas enfrenta dificuldades para reorganizar seu discurso. "Poucos agora querem se manifestar além das mensagens que foram feitas nas redes sociais porque realmente eles precisam agora reorganizar a tropa e tentar encontrar um novo discurso para o ano que vem", explicou.
Impacto no cenário político
A decisão dos Estados Unidos representa uma oportunidade para o Centrão fazer com que as eleições de 2026 não girem apenas em torno de Bolsonaro e da alegada perseguição política por parte do Judiciário. Segundo o analista, abre-se espaço para uma terceira via se apresentar para a disputa.
Para candidatos mais moderados da direita, como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o governador Ratinho Júnior (PSD), a situação é inicialmente desconfortável, mas pode se tornar vantajosa quando a campanha começar, permitindo outro tipo de enfrentamento político.
Por outro lado, o PT (Partido dos Trabalhadores) ganha material significativo para usar em suas campanhas. "Já havia um grande repertório de ações e de declarações que já estavam sendo compiladas ali pela comunicação do PT desde a primeira decisão de retirada das tarifas", destacou Venceslau, acrescentando que agora é possível construir uma narrativa favorável ao presidente, que já é considerado favorito para vencer as eleições de 2026.
O analista também destacou a mensagem do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), classificando-a como emblemática. "Ele vai ali tentando dizer olhar para frente, vamos normalizar a relação entre os poderes", observou Venceslau, acrescentando que o parlamentar, normalmente combativo, tentou encontrar uma maneira de não deixar passar em branco a decisão, mas também não demonstrar o quanto esse golpe abalou as estruturas do bolsonarismo.


