Análise: Governo e oposição divergem sobre Marco da Segurança
Projeto que unifica propostas sobre crime organizado gera embate entre os lados; texto deve ser votado com alterações sobre tipificação de terrorismo
A Câmara dos Deputados deve votar, nesta terça-feira (11), o Marco da Segurança, projeto que unifica propostas sobre o combate ao crime organizado.
A matéria tem gerado intenso debate e divergências entre governo e oposição, especialmente após a designação do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) como relator.
O projeto reúne o PL antifacção e o PL antiterrorismo em um marco legal de combate ao crime organizado.
Derrite apresentou seu relatório em tempo recorde, gerando questionamentos do governo, que considerou a movimentação como uma quebra de confiança por parte do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Mudanças no texto
O relatório já sofreu alterações significativas em relação à proposta original. A tipificação dos crimes de terrorismo, um dos pontos mais sensíveis do texto inicial, foi retirada após pressões e discussões sobre possíveis impactos nas relações internacionais do Brasil.
Uma das principais discussões envolve o papel da PF (Polícia Federal) nas investigações. Enquanto setores da oposição defendem limitar a atuação da PF nesses casos, especialistas apontam a importância da federalização de investigações envolvendo crime organizado, citando como exemplo o caso Marielle Franco.
Contexto internacional
O debate sobre o Marco da Segurança ocorre em um momento de crescente preocupação com o crime organizado na região amazônica, afetando não apenas o Brasil, mas diversos países vizinhos. Argentina e Paraguai já tomaram medidas de restrição em suas fronteiras como resposta a essa situação.
Entre as mudanças propostas no texto está a extensão do prazo da prisão temporária de 5 para 30 dias, prorrogável por mais 30, além da flexibilização de exigências relacionadas a provas.
O governo, que originalmente propôs parte das medidas, agora considera votar contra o texto final.



