Análise: Governo expõe temor de desgaste com Master
Segundo o analista Matheus Teixeira, a Secretaria de Comunicação e o Ministério da Justiça articulam estratégia para reduzir desgaste político sobre o governo Lula, especialmente em ano eleitoral
O governo federal está articulando, por meio da Secretaria de Comunicação e do Ministério da Justiça, uma estratégia para desvincular o caso do Banco Master de sua imagem, especialmente em ano eleitoral. A informação foi analisada por Matheus Teixeira, analista de política da CNN, que apontou o temor do governo quanto ao desgaste político que o escândalo pode causar.
Segundo Matheus, apesar do caso do Banco Master atingir todo o espectro político, com mais envolvidos de centro e direita do que de esquerda, a avaliação dentro do governo é que grandes escândalos de corrupção acabam prejudicando principalmente o governo que está no poder no momento.
Coletiva como estratégia política
A análise destaca que a entrevista coletiva concedida pelo Ministro da Justiça e diretores da Polícia Federal, após as prisões relacionadas à operação Compliance Zero, foi uma tentativa clara de mostrar transparência e autonomia da PF. No entanto, segundo Matheus, a estratégia não surtiu o efeito desejado.
"A expectativa era de que houvesse maiores esclarecimentos sobre esse caso de corrupção, que a coletiva é geralmente convocada para acrescentar informações daquilo que já se sabe. Mas, chegando lá, a coletiva foi uma propaganda do governo, uma propaganda do trabalho da segurança pública que combate o crime organizado e não trouxe nada de novo", explicou o analista.
Teixeira lembrou que, dois dias antes da coletiva, Lula havia solicitado à Polícia Federal que desse maiores explicações sobre o caso. Porém, durante o evento, os representantes alegaram que não podiam dar informações adicionais porque tudo estava sob sigilo, o que gerou questionamentos sobre o real propósito da convocação da imprensa.
"Ficou evidente que tratou-se muito mais de uma estratégia política de tentar descolar o governo do caso do Banco Master, de mostrar que a Polícia Federal, que é subordinada ao Ministério da Justiça, está trabalhando livremente", analisou Matheus, acrescentando que o que deveria ser uma demonstração de transparência acabou sendo percebido como uma ação de propaganda governamental.


