Análise: Lula dá tom político ao celebrar Globo de Ouro
Segundo análise de Clarissa Oliveira, ao Live CNN, o presidente destacou filme "Agente Secreto" por retratar "a violência da ditadura e a resistência do povo brasileiro", em mensagem com conotações políticas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou as vitórias do cinema brasileiro no Globo de Ouro, especialmente o longa "Agente Secreto", destacando em sua mensagem elementos que vão além da valorização cultural, imprimindo um tom político à celebração. A análise é de Clarissa Oliveira, ao Live CNN.
Em sua postagem nas redes sociais, Lula elogiou o filme por "retratar a violência da ditadura e a capacidade de resistência do povo brasileiro", uma frase que carrega uma mensagem política em um momento estratégico para o governo, aponta a analista.
"Estamos falando de um presidente que, na semana passada, assinou um veto integral ao projeto que alivia as penas dos envolvidos na trama do golpe. Uma tentativa de golpe de estado sempre associado pelo campo da esquerda como uma tentativa de romper com o estado democrático de direito", afirma Oliveira.
Estratégia de comunicação em ano eleitoral
Segundo Clarissa Oliveira, qualquer menção ao período ditatorial, especialmente vinda do presidente e expressa através do cinema, traz uma conotação política importante para o debate atual, "para o centro da discussão sobre o alcance mundial do cinema brasileiro".
"Isso acontece, cria um ambiente favorável para a estratégia de comunicação que o próprio governo federal desenhou para esse momento, apontando para as eleições deste ano", explicou a analista. O destaque para filmes que abordam temas como resistência à ditadura, como "Agente Secreto" e também "Ainda Estou Aqui", contribui para um clima de positividade que o governo espera promover em 2024, ano de eleições municipais.
A mensagem presidencial, embora não mencione diretamente o bolsonarismo ou os envolvidos na tentativa de golpe, carrega uma comunicação subliminar que associa eventos históricos à atual conjuntura política brasileira. Esta estratégia ocorre em um momento em que o veto do presidente ao projeto que beneficiaria envolvidos nos atos de 8 de janeiro será discutido no Congresso após o recesso parlamentar.
Para aliados de Lula, o reconhecimento internacional de produções brasileiras que abordam temas políticos relacionados à resistência democrática representa um elemento positivo para a narrativa governista em um ano eleitoralmente decisivo.


