Análise: Lula teme impacto de caso Lulinha na militância do PT
Investigação envolvendo filho do petista preocupa campanha e pode abalar eleitores indecisos e militantes na reta final das eleições; a apuração é do analista de Política da CNN Pedro Venceslau
A investigação que envolve Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, segue gerando desdobramentos e preocupações no campo político. A cada dia surgem novos elementos relacionados ao caso, que envolve também o ex-chefe de gabinete conhecido como Marcola, e o tema não para de rondar a agenda de Lula, mesmo quando ele tenta se concentrar em compromissos oficiais e de campanha. A apuração é do analista de Política da CNN Pedro Venceslau ao Hora H.
Nesta terça-feira (25), em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou da cerimônia do Dia do Soldado no Quartel-General do Exército e foi embora sem responder às perguntas dos jornalistas sobre o filho e sobre o ex-chefe de gabinete.
PT acredita que caso "bateu num teto", mas reconhece riscos
O discurso oficial do Partido dos Trabalhadores, mesmo em conversas reservadas, é de que a investigação do INSS envolvendo o Lulinha já teria chegado ao seu limite de repercussão.
No entanto, segundo Pedro Venceslau, o próprio partido reconhece que o caso se tornou "material de campanha para o adversário" e que Lula terá de lidar com esse tema até o primeiro e o segundo turno das eleições.
Lula teria manifestado a diversos interlocutores, inclusive em palanques, uma preocupação específica com a militância do PT. Nesse contexto, a militância não se restringe ao militante histórico do partido, mas inclui aquele eleitor engajado que, na reta final da campanha, pede votos, conversa com amigos, atua nas redes sociais e mobiliza seu entorno.
Temor de abalo no entusiasmo dos eleitores
O maior receio é que o caso do Lulinha acabe reduzindo o entusiasmo desse eleitor engajado justamente na semana decisiva das eleições, período em que, segundo especialistas em marketing eleitoral, ocorre o fenômeno chamado de "antipetismo de chegada".
Diante disso, Lula teria pedido que militantes — incluindo integrantes de movimentos sociais, candidatos a deputado, ex-ministros e petistas de base — intensifiquem o trabalho de corpo a corpo nas ruas.
A orientação seria para que os diretórios do PT, presentes em quase todas as cidades do Brasil, mobilizem seus militantes para defender o governo, combater fake news e tentar convencer eleitores indecisos.


