Análise: Messias busca líderes da oposição para conquistar votos no Senado
Segundo análise de Luísa Martins ao Bastidores CNN, advogado-geral da União procura lideranças partidárias para romper resistência no Senado, enquanto mantém diálogo com Pacheco e busca aproximação com Alcolumbre
Jorge Messias intensifica articulações políticas em busca de apoio para sua aprovação ao Supremo Tribunal Federal (STF). O advogado-geral da União iniciou uma série de contatos com lideranças do União Brasil e PSD, partidos que apresentam maior resistência à sua indicação na base aliada do governo. A análise é de Luísa Martins, ao Bastidores CNN.
Na última semana, Messias entrou em contato com as lideranças das duas legendas, que têm peso significativo no Senado Federal. O PSD, segunda maior bancada da casa, fica atrás apenas do PL em número de senadores. O líder do União Brasil, Efrain Filho, confirmou que Messias contatou seu gabinete, embora ainda não tenham agendado um encontro presencial.
"Esse beija-mão pelos gabinetes não pode ser subestimado. Ele tem, sim, o poder de virar votos", conta Martins: "Quando um indicado ao STF se apresenta pessoalmente, mesmo para os parlamentares de oposição, é um momento de quebrar o gelo, apresentar seu currículo, e às vezes isso pode fazer um senador mudar de opinião".
Articulação com figuras-chave
Omar Aziz, líder do PSD, informou que deve se reunir com Messias esta semana. Paralelamente, há expectativa de um encontro entre o indicado e Rodrigo Pacheco. Nos bastidores, Messias tem enfatizado sua amizade prévia com Pacheco, ressaltando a excelente relação entre ambos.
A estratégia de aproximação inclui o apoio de ministros do STF. André Mendonça e Nunes Marques têm atuado como interlocutores junto a parlamentares da oposição.
"O argumento desses ministros e interlocutores do Senado é de que Messias tem perfil técnico e carreira na advocacia pública, e não faria parte da 'militância petista clássica', portanto não levaria tanto as ideologias petistas para dentro do tribunal. Pelo contrário, ele poderia se somar a uma ala mais conservadora da corte", aponta a jornalista.
Os apoiadores de Messias argumentam que seu histórico profissional e posicionamento em pautas conservadoras, especialmente em questões como aborto e drogas, poderiam fortalecer uma ala mais tradicional dentro do Supremo. Sua formação evangélica é apresentada como um ponto de conexão com setores conservadores do Senado.


