Análise: Notas de ministros expõem a crise do STF no caso Master

Em conversa no WW, Daniel Rittner, Thais Herédia, Caio Junqueira e William Waack discutem sobre empresa de Viviane Barci, que produziu 36 pareceres jurídicos para o banco. Nota expõe crise sem precedentes no STF, enquanto senador protocola pedido de CPI para investigar ministros

Da CNN Brasil
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O escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou detalhes sobre sua relação profissional com o Banco Master. Segundo informações apresentadas pelo próprio escritório, foram produzidos 36 pareceres jurídicos e opiniões legais para a instituição financeira, além da realização de 79 reuniões presenciais na sede do banco e 13 encontros com a presidência, sendo dois presenciais.

A empresa jurídica afirmou que prestou serviços ao Master de fevereiro de 2024 até novembro de 2025, quando o banco foi liquidado. O escritório detalhou que contava com 15 profissionais e três escritórios sob sua coordenação, atuando em áreas como governança, política de relacionamento com o poder público e revisão da política de captação para o regime próprio da Previdência Social.

A nota emitida pelo escritório Barci de Moraes ressalta que nunca atuou em causas do Master no Supremo Tribunal Federal, onde Alexandre de Moraes é ministro. No entanto, não menciona o valor do contrato, já revelado anteriormente como sendo de R$ 129 milhões, dos quais aproximadamente R$ 80 milhões teriam sido efetivamente pagos antes da interrupção do contrato.

"Já questionávamos este contrato, já que não existia nenhuma referência para isso, [...] Não faz sentido esse valor", apontou a analista Thais Herédia, em conversa no WW: "As empresas também vão passar a se perguntar qual o grau de risco moral que têm ao fazer contratos com certos escritórios".

Crise institucional e pedido de CPI

As revelações sobre o caso Master levaram os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli a emitirem 13 notas oficiais, expondo uma crise de credibilidade sem precedentes para o STF. Em meio a esse cenário, o senador Alessandro Vieira protocolou um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) específica para apurar as condutas dos dois ministros.

Segundo o senador, já foram conseguidas 29 assinaturas, número suficiente para a instalação da CPI. Contudo, a iniciativa enfrenta resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que mantém proximidade com alguns ministros do Supremo, especialmente Alexandre de Moraes.

"A preços de hoje, é muito difícil dessa CPI sair", aponta o diretor de jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, ao WW: "Aliás, estava olhando a lista de senadores que já assinaram essa CPI de iniciativa de Alessandro Vieira e você não acha nenhuma assinatura de senadores do PT e nem, obviamente, de Ciro Nogueira".

Segundo o analista Caio Junqueira: "Nasceu morta a CPI. Para esse ano, é muito difícil, quase impossível - o que vai mover o Caso Master esse ano são dois factores: Polícia Federal e André Mendonça. O que é bastante coisa se considerar que a cúpula dos três poderes não quer que essa investigação avance".

A crise no STF também se amplia pelo incômodo do decano Gilmar Mendes com vazamentos ocorridos na operação cujo relator é André Mendonça. "A exposição pública de conversas de cunho estritamente privado, desvinculadas de qualquer ilicitude, constitui uma gravíssima violação ao direito à intimidade e uma demonstração de barbárie institucional que transgride todos os limites impostos pelas leis e pela Constituição", afirmou Gilmar Mendes.

Especialistas em direito e mercado financeiro questionam o valor cobrado pelo escritório de Viviane Barci, considerando-o desproporcional para os serviços descritos. Segundo analistas ouvidos pela imprensa, o contrato levanta questões sobre a ética na advocacia e a gestão de risco das empresas ao contratar escritórios vinculados a parentes de autoridades públicas.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.
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