Análise: O que esperar das eleições presidenciais de 2026
Durante o WW, a analista Jussara Soares e o diretor-executivo do Eurasia Group comentaram o cenário político que começa a se desenhar com Lula apostando em programas sociais e economia, enquanto Flávio Bolsonaro tenta se firmar como principal nome da oposição
O cenário eleitoral para 2026 já começa a se desenhar no Brasil, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) caminhando em busca de um quarto mandato, enquanto a direita e a centro-direita enfrentam fragmentação com a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que enfrenta desafios para se mostrar como um nome palatável ao mercado. A análise é de Jussara Soares e do diretor-executivo do Eurasia Group, Christopher Garman, no WW.
Em recente movimento para conquistar o setor econômico, Flávio apresentou um requerimento ao Tribunal de Contas da União (TCU) contra o que chamou de deterioração das contas públicas por parte do governo Lula. No documento, o senador cita déficits no setor público e crescimento nas despesas para apontar o que classificou como agravamento da situação fiscal do país.
"Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e contando com seu apoio, Flávio apresenta um discurso que prioriza um "tesouraço" com cortes de impostos e burocracias estatais, bandeira semelhante à utilizada por Javier Milei na Argentina. Para unificar a base bolsonarista, o senador investe na narrativa de que seu pai seria um perseguido político pelo STF", avaliou Jussara.
Estratégias de Lula para 2026
Do outro lado, Lula deve buscar uma reeleição que, se concretizada, o levaria para um quarto mandato. Para isso, o presidente aposta na popularidade de medidas como a ampliação da isenção do imposto de renda para atrair a classe média e na criação de programas como o Auxílio Gás para fidelizar os mais pobres.
Segundo Christopher, a recuperação da popularidade de Lula no segundo semestre de 2025 esteve mais relacionada a fatores econômicos, como cinco meses de deflação de preços de alimentos e a tarifa social que reduziu a conta de luz para 60 milhões de brasileiros, do que a fatores políticos.
Para 2026, o governo já trabalha com expectativas que podem servir como bandeiras eleitorais, como o fim da escala 6×1 e a gratuidade do transporte coletivo. Além disso, o presidente poderá se beneficiar com a implementação de vários programas aprovados, como a extensão do Vale Gás, a isenção de imposto de renda e novas linhas de crédito da Caixa Econômica Federal.
Alianças e desafios para a direita
Segundo a apuração da analista de política, a candidatura de Flávio Bolsonaro, é vista por integrantes do governo como favorável a Lula, pois o senador não tem apoio unânime dos partidos do Centrão. "O que o PT mais temia era uma candidatura do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) levando o apoio de todos os partidos do centro, o que poderia dificultar alianças nos estados", avalia.
Contudo, Flávio Bolsonaro enfrenta desafios para se firmar como candidato. Há insatisfação no entorno da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, e o senador precisará trabalhar para ganhar a confiança de setores como o agronegócio, que demonstra conformidade, mas não satisfação com sua pré-candidatura.
Segundo Christopher, o desempenho de Flávio nas pesquisas nos próximos meses será crucial para determinar a viabilidade de sua candidatura. Embora ainda não performe tão bem quanto o governador de São Paulo em simulações de segundo turno contra Lula, a diferença entre os dois candidatos já diminuiu nas últimas semanas.
Para 2026, fatores como custo de vida, preço de alimentos e segurança pública serão determinantes para o desempenho dos candidatos. O cenário eleitoral permanece em construção, com definições importantes esperadas para o primeiro trimestre do próximo ano, quando começarão a ser definidas as candidaturas aos governos estaduais e as alianças para a disputa presidencial.



