Para aliados, Heleno será termômetro para Bolsonaro
Avaliação do ex-ministro do GSI, que tem diagnóstico de Alzheimer, pode indicar como Alexandre de Moraes tratará questões de saúde em prisões de alta relevância, avalia analista de política da CNN Clarissa Oliveira
O ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, passará por perícia médica nesta sexta-feira (12) para determinar se poderá cumprir eventual prisão em regime domiciliar. A analista de política da CNN, Clarissa Oliveira, explicou no Live CNN que, para aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, o resultado desta avaliação funcionará como um importante indicativo sobre como casos de saúde serão tratados em processos de alta relevância política.
Segundo apuração da CNN Brasil, aliados de Bolsonaro estão observando atentamente o caso para entender qual será o nível de rigor adotado por Alexandre de Moraes em situações que envolvem diagnósticos médicos graves, como o Alzheimer no caso de Heleno.
A principal questão em análise é se prevalecerá a condição médica documentada ou se o foco será na capacidade do investigado de cumprir pena em regime fechado. "No caso do general Heleno, não há grandes dúvidas sobre a existência do diagnóstico de Alzheimer, mas questiona-se em qual estágio a doença se encontra e se o sistema prisional teria condições de oferecer a estrutura necessária para seu tratamento", afirma Oliveira.
Precedente para outros casos
O caso de Heleno é visto como possível precedente para outras situações, incluindo a do próprio Bolsonaro, que também possui histórico de problemas de saúde documentados. Aliados do ex-presidente acreditam que a decisão sobre o general indicará como a justiça avaliará casos semelhantes no futuro.
"A perícia médica buscará responder perguntas cruciais: em que grau está a doença de Heleno? A evolução da demência permite que ele cumpra pena em regime fechado? O confinamento poderia acelerar o avanço da doença? O sistema prisional tem condições de oferecer tratamento adequado a um custo razoável para o Estado?", explica Oliveira.
A Polícia Federal analisará todos os documentos médicos apresentados pela defesa do general para determinar se há justificativa para a concessão de prisão domiciliar. O resultado desta avaliação é aguardado com grande expectativa pelo círculo político próximo a Bolsonaro.


