Análise: Presidente do PL tenta evitar racha na direita
Valdemar Costa Neto busca unificar a direita após polêmica envolvendo o adiamento da visita do governador de SP, Tarcísio de Freitas, ao ex-presidente Bolsonaro na Papudinha; análise é de Isabel Mega no Live CNN
De acordo com a analista Política Isabel Mega no Live CNN, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, está atuando como um "bombeiro" para evitar um possível racha na direita brasileira após a polêmica envolvendo o adiamento da visita do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha, complexo prisional em Brasília.
O "vai e vem" sobre a visita de Tarcísio ao ex-presidente acabou dividindo aliados e fragilizando politicamente o governador de SP. A situação expôs tensões internas no campo da direita, com uma ala do bolsonarismo criticando duramente o governador pela desistência momentânea da visita.
Valdemar Costa Neto tem dado sinalizações públicas de que a direita precisa permanecer unida contra o governo Lula. Nos bastidores, o presidente nacional do PL está tentando distensionar o ambiente e evitar que as diferenças entre Tarcísio e o núcleo duro bolsonarista se aprofundem em um momento delicado para a oposição.
Críticas ao perfil político de Tarcísio
Segundo aliados próximos ao governador, a justificativa de compromissos de agenda para o cancelamento da visita não se sustentou, já que Tarcísio acabou tendo apenas despachos internos no dia em questão. A frase "é Tarcísio sendo Tarcísio", repetida por pessoas próximas ao governador, esconde uma crítica sobre a falta de traquejo político do ex-ministro.
Isabel Mega revelou que, na avaliação de pessoas próximas a Tarcísio, falta ao governador maior habilidade para articulação política, apesar do tempo que já acumula na vida pública. O perfil técnico ainda prevaleceria sobre o político, o que explicaria a forma como o episódio foi conduzido.
A mudança recente na Casa Civil do governo paulista, com a nomeação do presidente estadual do Republicanos para o cargo, é vista como uma tentativa de melhorar a articulação política de Tarcísio tanto no estado quanto em outros cenários da política nacional.
Após a repercussão negativa, Tarcísio remarcou a visita a Bolsonaro para a próxima semana e fez questão de anunciar publicamente que será candidato à reeleição ao governo de São Paulo, sinalizando que não pretende romper com o bolsonarismo, apesar das tensões. Quando ocorrer, ele será o primeiro político a visitar o ex-presidente no complexo prisional.


