Análise: Reaproximação de Lula e Alcolumbre envolve STF e eleição do Senado
Segundo apuração da analista de Política da CNN Isabel Mega, reaproximação entre Lula e Alcolumbre envolve jantar organizado por Alexandre de Moraes, pauta do Senado e disputa pela presidência da Casa em 2027
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ensaiam uma trégua política após meses de distanciamento e atritos institucionais. Segundo a analista de Política da CNN Isabel Mega, ao Live CNN, a reaproximação inclui articulações envolvendo o STF (Supremo Tribunal Federal) e interesses relacionados à eleição para a presidência do Senado Federal.
De acordo com Isabel Mega, o ponto de partida da trégua foi um jantar organizado por Alexandre de Moraes. "A trégua começou no jantar que foi organizado pelo ministro Alexandre de Moraes", afirmou a analista.
Segundo ela, o encontro serviu como um "quebra-gelo", e dali Lula saiu com a decisão de fazer um gesto pessoal a Alcolumbre e chamá-lo para conversar diretamente, sem intermediários.
Interesses mútuos impulsionam a reaproximação
A analista descreveu a relação como uma situação de "ganha-ganha". Do lado de Lula, há o interesse em destravar a pauta do Senado Federal, incluindo a tentativa de reapresentar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF — uma derrota histórica que Lula sinalizou querer reverter. Também circulam nos bastidores articulações envolvendo o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para o TCU (Tribunal de Contas da União).
Já Alcolumbre teria interesse em destravar indicações para agências reguladoras, que estariam paralisadas em meio ao conflito com o Palácio do Planalto. "Se ele trava a vida do Planalto, o Planalto trava a vida dele também em relação a essas indicações", explicou Isabel Mega.
Eleição para a presidência do Senado pesa no cálculo
Outro fator relevante na reaproximação é a disputa pela presidência do Senado em 2027. Isabel Mega apontou que a movimentação da direita já está em curso, com nomes como Tereza Cristina (PP-MS) demarcando posição.
Além disso, a chegada de Arthur Lira (PP-AL) ao Senado, após passagem pela Câmara dos Deputados, é vista como uma possível ameaça a Alcolumbre. "Já me disseram que Davi Alcolumbre está preocupado" com a presença de Lira, segundo a analista.
Diante disso, aliados de Alcolumbre entendem que ele já começa a se movimentar pensando mais à frente, buscando ao menos garantir que o Planalto não atrapalhe sua tentativa de se manter no comando do Senado.
Pautas urgentes também estão na mesa
Além das articulações de médio e longo prazo, há temas considerados urgentes que poderiam avançar a partir do encontro entre Lula e Alcolumbre.
Entre eles, Isabel Mega destacou a medida provisória que retirou a cobrança sobre compras internacionais de baixo valor — a chamada "MP das blusinhas" —, que vence em setembro, e a política de minerais críticos. "Esses sim poderiam ter um direcionamento saindo diretamente desse encontro", avaliou a analista.
Também estão no radar temas como o fim da jornada 6x1 e a PEC da Segurança Pública, embora o Planalto seja pessimista quanto à possibilidade de avançar com esses assuntos antes das eleições.


