Análise: Situação jurídica dos casos de Glauber e Zambelli é semelhante

Analista Luísa Martins, no Bastidores CNN, avalia que, apesar da diferença entre os crimes, ambos os deputados enfrentam processos de cassação com bases jurídicas similares na Câmara dos Deputados

Da CNN Brasil
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A Câmara dos Deputados deve analisar nesta quarta-feira (10) os processos contra os deputados Glauber Braga (PSol-RJ) e Carla Zambelli (PL-SP). Apesar da natureza distinta dos casos, a situação jurídica de ambos é semelhante. Análise é de Luísa Martins no Bastidores CNN.

No caso de Glauber Braga, o processo decorre de uma agressão física ocorrida dentro das dependências da Câmara. O parlamentar também teria agravado sua situação ao sentar-se na cadeira do presidente da Casa, ato considerado uma violação do regimento interno.

Já Carla Zambelli enfrenta processos por dois episódios distintos: a invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e um episódio de perseguição armada ocorrido nas vésperas do segundo turno das eleições de 2022. Em ambos os casos, a deputada foi condenada à perda do mandato pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Impasse entre Câmara e STF

A situação jurídica cria um problema institucional. "Quando há um parlamentar condenado pelo STF à perda do mandato, para além das penas privativas de liberdade, isso sempre gera esse impasse sobre quem, afinal, tem a palavra final a respeito da cassação", explicou a analista de Política da CNN.

O debate reside em definir se cabe à Câmara apenas formalizar a decisão judicial do Supremo ou se ela tem prerrogativa de levar o caso à votação e decidir sobre a manutenção dos mandatos. Em outras legislaturas, como no caso do ex-deputado Paulo Maluf, a Mesa Diretora da Câmara apenas decretou a perda do mandato conforme definido pelo STF, sem levar o caso à votação.

Segundo a analista, o Supremo Tribunal Federal tem monitorado atentamente os casos, especialmente o de Zambelli, cuja questão da perda do mandato está em discussão há mais tempo. "Se houver uma perda do mandato, o STF nem precisa entrar nessa briga. Está tudo certo porque era o resultado que o Supremo queria", afirmou.

Contudo, se a Câmara decidir manter os mandatos, contrariando as decisões do STF, provavelmente o caso retornará ao Supremo, podendo desencadear um novo ciclo de tensões entre o Poder Legislativo e o Judiciário.

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