Análise: Tarcísio tenta reatar relacionamento com STF após acusações
Matheus Teixeira comenta as reuniões de Tarcísio de Freitas com ministros do Supremo, incluindo Alexandre de Moraes, que já foi alvo de críticas severas do governador
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), iniciou uma série de reuniões com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em uma tentativa de reconstruir sua relação com a Corte após ter feito críticas severas a Alexandre de Moraes no passado, chegando a chamá-lo de "tirano" e "ditador".
Segundo o analista político Matheus Teixeira, durante o Bastidores CNN desta quinta-feira (19), esse movimento de reconciliação ocorre em um momento estratégico para Tarcísio: "Já houve um pedido de desculpas nos bastidores e agora deve se intensificar essa tentativa de aproximação para tentar reconstruir aquela imagem junto aos ministros de que ele é um homem moderado, com autonomia política", afirma.
As críticas de Tarcísio a Moraes aconteceram em um contexto específico, quando o governador paulista ainda alimentava expectativas de ser o candidato apoiado por Jair Bolsonaro (PL) à presidência da República. "Ele fez uma série de sinalizações e essa foi a principal. Naquele momento ele fez um gesto, de também partir para cima do Supremo e ter mais apreço ao grupo do que ao Supremo", relembra Teixeira.
No entanto, após o ex-presidente optar por Flávio Bolsonaro como seu sucessor político, Tarcísio recuou estrategicamente.
Apesar do estremecimento nas relações com o Supremo, Tarcísio de Freitas mantém relevância significativa no cenário político nacional por comandar o estado com o maior orçamento do País e o maior colégio eleitoral. Além disso, é considerado favorito à reeleição. "Não estamos falando de um ator político secundário", observa o analista.
A movimentação do governador paulista também ocorre em meio às articulações pela prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, que enfrenta problemas de saúde, ao mesmo tempo em que o STF vive um momento de fragilidade devido às relações de ministros com Daniel Vorcaro.
"Essa é a interpretação do entorno de Jair Bolsonaro, é uma oportunidade para o Supremo fazer um recuo, para aliviar as críticas que são muito duras", destaca Teixeira.
A condição de saúde de Bolsonaro, que já passou por mais de seis cirurgias desde 2018 e segue apresentando complicações, é utilizada como argumento adicional pela defesa. A avaliação é que, mesmo que ele receba alta e retorne à prisão, poderá ter novas recaídas, gerando um desgaste para o Supremo com o constante vai e vem entre presídio e hospital.


