Análise: Visita de Lula aos EUA representa desafio para diplomacia
Encontro entre os dois líderes deve ocorrer em Washington na quinta-feira (7) e envolve temas sensíveis como minerais críticos e eleições; análise é de Isabel Mega no Bastidores CNN
O presidente Lula (PT) viajará aos Estados Unidos para se encontrar com Donald Trump, com expectativa de que o encontro ocorra em Washington na quinta-feira (7). A visita, que havia sido cogitada para março, foi adiada em razão do conflito entre os Estados Unidos e o Irã, e agora se concretiza em um momento de múltiplos desafios para a diplomacia brasileira.
A analista Isabel Mega avaliou, no Bastidores CNN, que embora a visita confira relevância internacional ao Brasil — dado que nem todo país recebe um convite pessoal para ir à Casa Branca —, ela também representa um terreno delicado de se pisar. "O Trump é uma espécie de areia movediça", afirmou, ao destacar a imprevisibilidade que envolve qualquer articulação diplomática com o atual ocupante da Casa Branca.
Segundo Isabel Mega, a possibilidade de uma visita de Lula aos Estados Unidos surgiu após um encontro anterior entre os dois líderes. O agendamento chegou a ser definido para a segunda quinzena de março, mas o conflito entre os EUA e o Irã alterou os planos. Naquele momento, fontes apontavam até mesmo um certo alívio no lado brasileiro, pois o Brasil já havia obtido a revogação do chamado "tarifaço" e podia, com mais conforto, manter suas posições sobre o conflito — inclusive com críticas diretas de Lula à atuação norte-americana. "Não havia o risco de atrelar a imagem de Lula à imagem de Trump e correr o risco de algum tipo de saia justa", explicou a analista.
Minerais críticos e polarização interna
Um dos temas centrais que permeiam a visita é o dos minerais críticos, também conhecidos como terras raras. Isabel Mega destacou que os Estados Unidos têm grande interesse no assunto, especialmente como forma de diversificar suas fontes em relação à China.
No Brasil, o tema já gerou divergências internas: Ronaldo Caiado (PSD), no encerramento de seu governo em Goiás, firmou acordos com os EUA sobre terras raras, mas fontes do governo Lula classificaram esses acordos como sem validade. Ao mesmo tempo, o próprio governo Lula mantém suas tratativas sobre o assunto, com uma ala do PT (Partido dos Trabalhadores) defendendo a criação de uma estatal para gerir os minerais críticos, enquanto o discurso oficial se afasta dessa possibilidade.
A analista também destacou que a visita ocorre em um momento em que o governo Lula retomou o discurso de soberania nacional — estratégia que, segundo ela, funcionou no ano anterior para reverter parte da impopularidade do governo.
Além disso, o conflito em curso segue impactando a economia, levando o governo brasileiro a adotar medidas para tentar conter o efeito no preço dos combustíveis. Com as eleições se aproximando, Isabel Mega ressaltou que a visita de Lula aos EUA carrega também riscos e desafios eleitorais que precisam ser cuidadosamente administrados pela diplomacia brasileira.


