Antifascistas agindo como fascistas, diz Luiz Philippe; Arnaldo Jardim discorda

Deputados participaram do Debate 360 da CNN e falaram sobre os atos pró e contra Bolsonaro

Da CNN
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Os deputados federais Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) e Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP) têm pontos de vista opostos quanto à classificação dos movimentos pró e contra o governo. Em participação no Debate 360 da CNN nesta quinta-feira (4), Luiz Philippe classificou o protesto do último domingo (31) como "terrorista".

"É uma grande felicidade ver o movimento antifascistas agindo como fascistas", disse ele, dizendo que caos e baderna fortalecem o governo. "Tínhamos bom amadurecimento, aí entra esse novo grupo, mobilizado por torcidas organizadas e pela extrema radical que vem para desestabilizar".

Jardim contra-argumentou, dizendo que achava curiosa a classificação. "Acho curioso você se referir à última semana e não a todas as outras, as manifestações que foram contra o Supremo, a Câmara dos Deputados, manifestações que buscavam quebrar a situação indicada pela ciência, de isolamento social".

Ele disse que ele e seu partido não aceitavam o que foi feito pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seus apoiadores nos últimos três meses de pandemia. "O resultado está aí, o Brasil pontuando gravemente no contexto das nações, outros países ignorando o nosso país por conta da postura adotada", afirmou. "O senhor só olha de um lado, essa é a marca da intolerância".

Luiz Philippe rebateu que os movimentos intervencionistas são minoria na direita brasileira e que a exclusão nacional se dá por uma "leitura internacional errada do que acontece no Brasil", e que o Congresso estaria fazendo conspirações contra o Executivo.

"A percepção que há um ditador querendo dominar, é exatamente o contrário do que está acontecendo, são interferências do Judiciário e conspirações do Legislativo", declarou.

Jardim explicou que desde o início da pandemia, o Congresso tem se mobilizado para aprovar pautas para apoiar o Planalto, como o do orçamento de guerra e o de auxílio a estados e municípios.

"O Congresso tem aprovado tudo que o governo tem proposto. O que falta é o governo dar sequência a essas políticas e colocá-las na prática", disse. Sobre os protestos, disse que podem ser minoria os que pedem a ruptura, mas que, como não houve condenação pública, foi o tom que permaneceu.

O pesselista respondeu que a Câmara já deixou várias medidas provisórias perderem a validade, sem ir à votação, e que há uma pauta dupla no país. "Existe a pauta do Legislativo e a do Executivo, por isso não há governabilidade", declarou.

Jardim discorda desse ponto. "A única pauta tem que ser a de enfrentar a crise", disse.

Os dois deputados, no entanto, concordam sobre a necessidade de aprovar reformas para retomar a economia no pós-pandemia.

"As reformas são necessárias, temos que votar as que estão em pauta", disse Orleans e Bragança.

"Não aos extremistas e sim aos que constroem convergência", finalizou Jardim

(Edição: André Rigue)