Apontar STF como “maior problema nacional” é “erro histórico”, diz Dino

Ministro não citou diretamente os pedidos de indiciamento sugerido pelo relator da CPI do Crime, mas registrou "solidariedade pessoal aos colegas alvo de injustiças"

Gabriela Boechat, da CNN Brasil, Brasília
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O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou nesta terça-feira (14) que apontar a Corte como o maior problema nacional é um “gigantesco erro histórico”.

A declaração se deu logo após o senador Alessandro Vieira apresentar o relatório final da CPI do Crime Organizado com pedidos de indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por crimes de responsabilidade. Dino, no entanto, não cita a CPI nem as sugestões de indiciamento.

“Atualmente há, por parte de alguns, o equívoco de apontar o STF como o ‘maior problema nacional’. É um imenso erro, para dizer o mínimo. Friso: gigantesco erro histórico, que exige uma melhor reflexão quanto às consequências”, afirmou Dino em publicação nas redes sociais.

O ministro ressaltou que críticas à atuação da Corte são bem-vindas e que investigações necessárias devem ocorrer, mas sempre com “respeito à dignidade das pessoas” e com “preservação das instituições da democracia”.

De acordo com ele, tanto o STF quanto a PGR possuem um relevante conjunto de decisões judiciais contra o crime organizado no Brasil, alcançando quadrilhas armadas, crimes políticos e facções em geral.

"É uma irresponsabilidade investigar o crime organizado e não tratar sobre milicianos, traficantes de drogas, vendedores de armas ilegais, garimpos ilegais, facções que controlam territórios, matadores e pistoleiros etc.", afirmou.

O relatório final de Vieira foi apresentado na manhã desta terça. Segundo o senador, os pedidos de indiciamento se baseiam em condutas consideradas incompatíveis com o exercício das funções, como suspeição em julgamentos, possíveis conflitos de interesse e decisões que teriam impactado investigações.

No caso do procurador-geral, o texto aponta omissão diante de indícios considerados relevantes.

Entre os pontos abordados, o documento cita o caso Banco Master, com referência a indícios de irregularidades financeiras e possível relação com esquemas de lavagem de dinheiro. O tema, segundo o relator, deve ser aprofundado em investigação específica.