Análise: Crise com o papa atrapalha Trump na batalha moral da guerra no Irã

Lourival Sant'Anna avalia que críticas de Donald Trump ao papa Leão XIV prejudicam sua posição na guerra, especialmente entre os eleitores católicos americanos

Da CNN Brasil
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Donald Trump voltou a criticar o papa Leão XIV após as falas do pontífice contra os ataques ao Irã. Segundo o analista de Internacional Lourival Sant'Anna, essa crise atrapalha Trump na "batalha moral" da guerra no Oriente Médio.

Durante o CNN Prime Time desta terça-feira (13), Sant'Anna destacou que aproximadamente 25% a 27% dos eleitores americanos são católicos, o que torna as críticas de Trump ao primeiro papa norte-americano da história da Igreja Católica especialmente problemáticas. O analista também lembrou que há católicos muito influentes em cargos de relevância no governo Trump:

"JD Vance, o vice-presidente, é um católico atuante. Marco Rubio, secretário de Estado, que tem origem cubana, começou como católico, durante um tempo foi evangélico, mas agora voltou a ser católico. Scott Bassett, que é homossexual, tem uma formação católica, mas não fala muito sobre isso, e também o Chris Wright, o secretário de Energia, que é justamente o setor atingido por essa história", lista Lourival.

Sant'Anna explicou que a administração Trump tem tentado dar um caráter religioso à guerra contra o Irã. "Foi o Trump e o Pete Hegseth, o secretário da defesa, que trouxeram a religiosidade para esse confronto", afirmou o analista. Ele lembrou que Hegseth publicou um livro sobre a necessidade de dar um caráter religioso e cultural para a função da projeção de poder das Forças Armadas Americanas.

Lourival citou também o episódio do resgate de dois tripulantes de um F-15E que caiu, quando Hegseth associou o evento ao domingo de Páscoa, dizendo que o coronel "tinha ressuscitado". "Trump também trouxe toda essa associação entre o papel divino que as Forças Armadas estão exercendo para combater uma teocracia, então parece que é a substituição de uma teocracia islâmica por uma cristã", analisou.

O analista também questionou a justificativa apresentada para o conflito. "Ele diz que é justificativa, que as pessoas que criticam a guerra é porque querem um Irã nuclear, mas a Agência Internacional de Energia Atômica e os especialistas em geral indicam que o Irã estava muito distante de uma arma nuclear", explicou Sant'Anna.

De acordo com Lourival, o Irã possui 400 quilos de urânio enriquecido a 60%, mas isso ainda está muito distante de conseguir todos os elementos necessários para uma bomba nuclear, como gatilho, miniaturização e uma série de etapas tecnológicas que o país não domina. "Essa guerra não era para conter uma ameaça iminente de o Irã se tornar um país nuclear", concluiu.

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