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    Após decisão judicial, PSDB escolhe novo presidente nesta quinta (30)

    Marconi Perillo, José Aníbal e Adolfo Viana despontam como principais nomes para substituir Eduardo Leite

    Douglas Portoda CNN*

    São Paulo

    O PSDB decidirá, nesta quinta-feira (30), quem será o novo presidente do partido. O novo comando será definido após uma decisão judicial que retirou o governador gaúcho Eduardo Leite da presidência e em um momento em que o partido tem perdido integrantes.

    Segundo apuração da CNN, o nome apontado como favorito para comandar a legenda é o do ex-governador Marconi Perillo (GO), apoiado pelo diretório de Minas Gerais e setores de São Paulo.

    Entretanto, o ex-senador paulista José Aníbal decidiu apresentar-se como alternativa, buscando apoio de estados, principalmente do Nordeste, descontentes com o arranjo proposto para a reunião desta semana. O líder da bancada na Câmara dos Deputados, Adolfo Viana, é outro que teria entrado na disputa.

     

    Como será o processo de escolha?

    Primeiro, será feita a eleição dos membros do Diretório Nacional e do Conselho Nacional de Ética e Disciplina. São 177 vagas de titular e 59 de suplentes.

    O colegiado será responsável por definir a Comissão Executiva Nacional e o Conselho Fiscal Nacional, incluindo o novo presidente da sigla, o secretário-geral e o tesoureiro.

    Por que a Justiça tirou Leite do comando?

    Em setembro, a juíza Thais Araújo Correia, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, determinou que a sigla fizesse uma nova eleição da Executiva Nacional.

    A decisão atendia a um pedido do prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando. Ele foi à Justiça questionar um ato da Executiva do PSDB de fevereiro de 2022, que decidiu prorrogar por um ano o mandato do então presidente do partido, Bruno Araújo. A sigla também ampliou os mandatos de todos os membros, inclusive os dos diretórios estaduais, até 31 de maio de 2023.

    Araújo foi eleito presidente da sigla em maio de 2019 para um mandato de 2 anos, mas em 2021 foi mantido no cargo pelas restrições pela pandemia que, segundo a legenda, inviabilizavam a realização de uma convenção nacional para decidir a sucessão.

    Naquela ocasião, era a segunda vez que o PSDB ampliava o mandato de Araújo à frente da legenda. Foi exatamente essa segunda eleição que Morando questionou na Justiça, sob o argumento de que ela descumpriu o estatuto tucano, que permite apenas uma prorrogação.

    A decisão judicial tornou nulos todos os atos posteriores a essa segunda renovação do mandado de Araújo —o que impacta, portanto, a chegada de Leite à presidência do partido, em novembro de 2022, com posse em fevereiro de 2023.

    Saídas e falta de força política

    Nos últimos anos o PSDB passou por uma grande perda de afiliados históricos.

    • Geraldo Alckmin: Em 2021, após 33 anos, o atual vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, deixou a sigla e foi para o PSB.
    • João Doria: O ex-governador de São Paulo João Doria saiu da sigla em 2022 e não foi candidato à Presidência da República mesmo após ganhar as prévias.
    • Senadores: Neste ano, o PSDB perdeu a senadora Mara Gabrilli (SP), que migrou para o PSD, e o senador Alessandro Vieira (SE), agora no MDB.

    Com a saída de senadores, o partido perdeu a sala de liderança no Senado. Para manter o espaço, seria necessário ter ao menos três congressistas e, hoje, o PSDB conta apenas com dois: Izalci Lucas (DF) e Plínio Valério (AM).

    Em queda desde 2014

    De acordo com o professor de Departamento de Gestão Pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Marco Teixeira, a grande virada na grandeza do PSDB acontece em 2014, após a derrota de Aécio Neves para a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). “Quando o Aécio perde a eleição, ele não reconhece a derrota. O não reconhecimento não foi consensual no PSDB e provocou um certo mal-estar. Depois, todo o partido entra fortemente na campanha do impeachment contra Dilma”.

    A votação inexpressiva de Alckmin na eleição presidencial em 2018 e a falta de um candidato próprio em 2022 são reflexos desse cenário, disse o cientista político Henrique Curi, especialista no partido, autor do livro “Ninho dos Tucanos: o PSDB em São Paulo”.

    “Acho que as decisões do partido, principalmente após a derrota das eleições em 2014 e também decisões que envolveram o governo Temer, por uma série de fatores que levam de fato à derrocada em 2018. Acho que o pior cenário possível do partido foi 2022, quando pela primeira vez na história não lança um candidato a presidente da República”, disse Curi.

    Eu vejo um partido altamente fragilizado, com poucas raízes na sociedade. É um partido que mostrou não ter uma base eleitoral fixa, uma identificação partidária com os tucanos

    Henrique Curi

    Núcleo não existe mais

    Para Teixeira, o principal núcleo do partido, que fez a projeção nacional a partir do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e dos ex-governadores paulistas Franco Montoro, Mário Covas e José Serra, não existe mais.

    “Não tem força nenhuma. Tanto que em São Paulo não tem a prefeitura nem o governo do estado. E não pela primeira vez em sua história candidato a prefeito, inclusive. Não porque não queira lançar, mas porque não tem quadro”, diz o professor.

    “O PSDB se mantém onde ele tem governo, que é no Rio Grande do Sul, em Pernambuco e em Mato Grosso do Sul. Lá em Mato Grosso do Sul nada garante que o governador é tucano de fato, porque ele foi muito próximo do Bolsonaro, inclusive”, completa, se referindo a Eduardo Riddel.

    *Colaborou Leonardo Ribbeiro, da CNN, em Brasília