Após reportagem da CNN, reverendo diz que outras pessoas tinham acesso a e-mails

Amilton Gomes de Paula mudou a versão de conteúdo prestado em depoimento mais cedo

Amilton Gomes de Paula durante CPI da Pandemia
Amilton Gomes de Paula durante CPI da Pandemia Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

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O reverendo Amilton Gomes de Paula mudou o conteúdo do depoimento prestado à CPI da Pandemia após e-mails obtidos pela CNN indicarem que ele e integrantes Senah tentaram vender vacinas em diversas cidades brasileiras.

Logo no início da oitiva, Amilton Gomes de Paula negou que ele e integrantes da entidade dirigida por ele tenham negociado imunizantes com estados e municípios.

Após a reportagem da CNN ser comentada ao vivo durante a sessão, o reverendo mudou a versão do que havia dito mais cedo. Ele disse aos senadores que teve conhecimento, sim, da proposta enviada às cidades e afirmou que a iniciativa partiu de um diretor de sua entidade.

 

“Me coloquei à disposição, vim para cá com dor, com atestado. Estou desde às 8h30 aqui à disposição para responder. Sobre as questões dos municípios, ouve demandas como a carta de encaminhamento da Davati para municípios. Quem fez isso foi Renato Gabbi. Eles têm acesso ao próprio e-mail da presidência”, afirmou. 

No dia 25 de fevereiro, o reverendo enviou e-mail à secretaria-executiva da Associação dos Municípios do Acre (Amac), que representa as 22 cidades do estado. Nele, Amilton dizia que estava encaminhando uma “carta de informações” sobre vacinas da Astrazeneca, cuja venda seria feita “com viés humanitário”. A mensagem foi enviada do endereço presidencia@portalsenah.org e é assinada pelo próprio Amilton Gomes de Paula.

As conversas seguiram. No mês seguinte, já no dia 26 de março, a Amac enviou então uma carta de intenção, dizendo-se interessada na compra de vacinas da Janssen. A mensagem foi enviada por e-mail para Renato Gabbi, integrante da Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários), instituição dirigida por Amilton.

Gabbi remeteu o pedido ao representante da Davati no Brasil, Cristiano Carvalho. No mesmo dia, Carvalho respondeu dizendo que não teria mais a disponibilidade da vacina da Janssen e que a companhia poderia fornecer doses da Astrazeneca. No fim, o negócio não se concretizou.

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