Após ser violada, tornozeleira de Bolsonaro passará por perícia

Irregularidade detectada no equipamento foi uma das motivações para a conversão da prisão domiciliar do ex-presidente em preventiva

Elijonas Maia e Davi Vittorazzi, da CNN Brasil, Brasília
Ex-presidente Jair Bolsonaro  • 14/08/2025 - Reuters/Adriano Machado
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A Polícia Federal realizará uma perícia na tornozeleira eletrônica do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para apurar o motivo pelo qual o equipamento foi violado.

A irregularidade detectada no equipamento foi uma das motivações para a conversão da prisão domiciliar em preventiva neste sábado (22). Bolsonaro está preso na Superintendência da PF do Distrito Federal, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Anteriormente, integrantes da PF e da Seap (Secretaria de Administração Penitenciária do DF) haviam informado que a perícia seria feita pela Seap, mas ficou decidido enviar a tornozeleira para a PF.

 

 

A tornozeleira eletrônica danificada será submetida a perícia a partir deste fim de semana no INC (Instituto Nacional de Criminalística) da Polícia Federal. Peritos federais das áreas de microvestígios e eletrônica iniciarão os exames para avaliar se houve violação ou tentativa de violação do dispositivo, identificar possíveis ferramentas utilizadas e verificar qualquer dano, alteração ou interferência no funcionamento do equipamento.

O ex-presidente estava usando tornozeleira eletrônica desde 18 de julho deste ano. Ao chegar na Superintendência da PF, o equipamento foi retirado, uma vez que o ex-presidente ficará numa cela especial no prédio da corporação para cumprir prisão preventiva.

Segundo a decisão que determinou a prisão preventiva, o ex-chefe do Executivo tentou romper a tornozeleira para "garantir êxito em sua fuga", por volta da meia-noite deste sábado. O ministro argumenta que a fuga seria facilitada pela vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que estava prevista para a data de hoje.

A prisão foi solicitada pela PF e teve parecer favorável da PGR (Procuradoria-Geral da República).

Em nota, a defesa do ex-presidente afirmou que recebeu com "perplexidade" a decisão da prisão. Os advogados informaram que vão recorrer da medida imposta.

Por se tratar de uma prisão preventiva, a medida ainda não está relacionada ao cumprimento dos 27 anos e três meses da sentença dada pelo STF. O processo sobre a trama golpista está nas fases finais antes de entrar no chamado trânsito em julgado - quando não cabe mais recurso.