Após vaias, Lula e Paulinho da Força se encontram em SP e retomam aliança

Lula vê no aliado de centro chances de ampliar frente de apoio à candidatura ao Planalto; Paulinho saiu magoado de evento com centrais sindicais em que foi vaiado

Basília RodriguesGustavo Uribeda CNN

em Brasília

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, retomaram a aliança, nesta terça-feira (19), após desgaste provocado pelas vaias de apoiadores de Lula a Paulinho na última semana. Os dois se reuniram em São Paulo para selar a reaproximação.

De acordo com interlocutores ouvidos pela CNN, Lula afirmou para o aliado que as vaias foram “imperceptíveis”, mas que compreendia o mal estar.

Paulinho, por sua vez, disse que esperava uma retratação do PT e que Lula saísse em sua defesa. O petista fez questão de atribuir a situação a um grupo isolado de manifestantes e dizer que não foi uma ação orquestrada pelo partido ou que tivesse apoio da legenda.

Apesar de aliado de longa data de Lula, como deputado federal, Paulinho votou a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, se descolou da esquerda e criou um partido de centro.

A reunião, segundo representantes das siglas, serviu para mostrar que o Solidariedade precisa de Lula, assim como Lula precisa do Solidariedade para manter o projeto de frente ampla.

O partido aliado retomou os planos de formalizar o apoio a Lula no dia 3 de maio. Paulinho deverá estar presente no mesmo palanque de Lula, no dia 7 de maio, quando o PT lançará oficialmente a chapa com Geraldo Alckmin (PSB).

“Com isso, Lula me pediu para buscar novos apoios para juntos vencermos as eleições. Com união e diálogo, vamos lutar para recuperar o emprego e a renda do povo brasileiro”, afirmou Paulinho ao final do encontro.

Segundo relatos feitos à CNN, na reunião, Lula teria garantido a Paulinho a intenção de ampliar o número de apoios à sua candidatura presidencial e ressaltou que o presidente nacional do Solidariedade terá papel de destaque na negociação com siglas de centro.

No encontro, o petista também teria reconhecido que o cenário eleitoral deste ano apresenta dificuldades e que é necessário formar uma espécie de frente ampla contra o presidente Jair Bolsonaro (PL).

A presidente do partido, Gleisi Hoffmann, adotou discurso semelhante na entrevista após o encontro. “Aliança política e partidária é muito importante, Paulinho pode ajudar com isso, pela articulação que tem. Todos os esforços precisam ser feitos nesse sentido”, afirmou.

Debate

A CNN realizará o primeiro debate presidencial de 2022. O confronto entre os candidatos será transmitido ao vivo em 6 de agosto, pela TV e por nossas plataformas digitais.

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