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    Aras diz que enfrentou corporativismo ao rebater fala de que destruiu Lava Jato

    Procurador-Geral da República afirma que institucionalizou e despersonalizou o Ministério Público

    Mandato de Aras se encerra em 26 de setembro e ele tem intensificado publicações nas redes sociais sobre seu legado à frente da PGR
    Mandato de Aras se encerra em 26 de setembro e ele tem intensificado publicações nas redes sociais sobre seu legado à frente da PGR Fellipe Sampaio/SCO/STF

    Lucas Mendesda CNN

    em Brasília

    O procurador-geral da República, Augusto Aras, disse nesta quinta-feira (7) que “apenas” atuou para institucionalizar e despersonalizar o Ministério Público e que enfrentou “forte corporativismo”, ao citar que foi “acusado de destruir a Lava Jato”.

    Em publicação em seu perfil no Twitter, Aras afirmou que, hoje, a sociedade enxerga o “verdadeiro legado maldito” da operação, seu “’modus operandi’ que ceifa vidas, a política, a economia e afronta a soberania nacional”.

    Veja também – Toffoli: Prisão de Lula foi armação

    “Nós temos o dever de cumprir a Constituição, rasgada por poucos e ruidosos membros do sistema de Justiça”, afirmou. “Só com equilíbrio institucional, respeito ao limite de cada Poder e a nossa Lei Maior, teremos um Brasil fraterno”.

    A declaração ecoa termos usados pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que no dia anterior anulou todas as provas obtidas por meio do acordo de leniência da construtora Odebrecht e dos sistemas de propina da empresa. Esses elementos serviram de base para diversas acusações e processos na operação Lava Jato.

    Na decisão, Toffoli criticou duramente a operação e seus integrantes, e mandou diversos órgãos públicos investigarem agentes públicos ligados à Lava Jato. O magistrado disse que a operação colaborou para destruir tecnologias nacionais e empresas, além de atingir vidas.

    Em sua publicação, Aras disse que enfrentou nos últimos quatro anos um “forte corporativismo apoiado pelas fake news divulgadas pela imprensa desviada que confundiram Justiça com vingança”.

    O mandato de Aras se encerra em 26 de setembro e ele tem intensificado publicações nas redes sociais sobre seu legado à frente da PGR. É possível a recondução ao cargo, mas as chances são pequenas. Pesa contra o atual PGR a atuação durante o governo anterior, e críticas de que teria blindado Bolsonaro.

    Alçado ao posto de procurador-geral da República em 2019 pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e reconduzido ao cargo dois anos depois, Aras fui um crítico da atuação da Lava Jato.

    Em 2021, o Ministério Público Federal (MPF) extinguiu a força-tarefa da operação no Paraná. Os grupos semelhantes da operação em São Paulo e Rio de Janeiro também foram encerrados.

    Aras já protagonizou embates públicos com procuradores da Lava Jato. Ele é contrário ao modelo baseado em forças-tarefas, e implantou no MPF uma estrutura de investigação ligada aos Gaecos (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).

    Leia a íntegra da declaração de Augusto Aras, publicada nesta quinta-feira (7):

    “VIVA O BRASIL

    Enfrentamos nos últimos 4 anos um forte corporativismo apoiado pelas fake news divulgadas pela imprensa desviada que confundiram Justiça com vingança.

    Fui acusado de destruir a Lava Jato, quando apenas institucionalizei e despersonalizei o Ministério Público. Hoje, a sociedade enxerga seu verdadeiro legado maldito, seu “modus operandi” que ceifa vidas, a política, a economia e afronta a soberania nacional.

    Nós temos o dever de cumprir a Constituição, rasgada por poucos e ruidosos membros do sistema de Justiça.

    Só com equilíbrio institucional, respeito ao limite de cada Poder e a nossa Lei Maior, teremos um Brasil fraterno.”