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    As medidas econômicas podem alterar o resultado eleitoral este ano?

    Mesmo que a aprovação dos auxílios ajude marginalmente a candidatura de Bolsonaro, coloca ainda mais risco na eleição

    Funcionário se prepara para abastecer veículo em posto de combustíveis em São Paulo
    Funcionário se prepara para abastecer veículo em posto de combustíveis em São Paulo 08/11/2016 REUTERS/Paulo Whitaker

    Sergio Valeda CNN

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    A eleição presidencial será a tônica dominante das discussões até o fim do ano. Mas começam a surgir no horizonte questões referentes ao impacto das recentes medidas fiscais no resultado do pleito. Com o corte do ICMS em combustíveis e energia e a provável aprovação da PEC “Kamikaze” o governo poderá se beneficiar do impacto dessas mudanças? Muito provavelmente, não.

    O problema é como foram feitas as alterações legislativas. As medidas, que a priori são temporárias, podem chegar no final do ano com dificuldade para serem retiradas pelo futuro governo, especialmente sendo Lula o presidente. Além disso, as perdas de arrecadação vão afetar estados e municípios de forma permanente. O que o governo vinha fazendo de negativo do ponto fiscal, mas que ficava restrito ao federal, agora se espalha para os outros entes da federação.

    A mesma coisa acontece na PEC “Kamikaze”. O Auxílio Brasil, aumentado de R$ 400 para R$ 600, pode ficar de forma permanente, sem avaliação sobre o resto do programa em si, que talvez seja mais essencial até do que o próprio valor em questão (por exemplo, os condicionantes de frequência escolar).

    Como já é o terceiro ano em que a regra do teto é quebrada, sendo que em só em 2020 havia razão de emergência para tal, o mercado fica apreensivo quanto a capacidade de o governo manter a regra do teto no ano que vem. Cresce a possibilidade de que ela seja formalmente desmontada depois de três anos de quebra. A insegurança que fica é sobre o que será colocado no lugar.

    O que preocupa é que a crise internacional que se aproxima, com uma possível recessão, demanda ajustes dos países emergentes para que não sejam contaminados de forma mais agressiva. Toda crise externa pela qual passamos no passado nos atingiu de forma pior quando o país não estava equilibrado domesticamente, como agora. Por isso, a taxa de câmbio tem subido de forma tão relevante no Brasil e deverá continuar pressionada enquanto a situação fiscal se encontrar desajustada.

    Para piorar, o cenário eleitoral não colabora pelos diversos ataques que têm sido feito ao sistema pelo presidente. É provável que nada de grave aconteça dada a força ainda de nossas instituições, mas o risco que se coloca na tentativa de algo contra a eleição é grande. Ou seja, tudo tem conspirado para que o investidor internacional fique preocupado, o que mantém a pressão sobre a taxa de câmbio ao longo dos próximos meses.

    Nesse sentido, a possível deflação em julho somada a algum impacto da PEC Kamikaze sobre o consumo parece ser um ponto fora da curva de uma economia que apresenta mais riscos do que avanços. A inflação ainda estará elevada na época da eleição, com pressão que se mantém sobre combustíveis e impacto da taxa de câmbio. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego tem caído, mas o segundo semestre deverá começar a sentir os efeitos da alta de juros e do cenário internacional a caminho da recessão. A taxa de desemprego ainda estará em patamar elevado. Esses fatores pontuais não parecem ser suficientes para surtir efeito fatal para a campanha de Lula, mas atesta o poder da caneta presidencial e nos faz lembrar que ela nunca pode ser ignorada.

    O grave desta eleição do ponto de vista fiscal é que pela primeira vez desde que a reeleição começou que temos um presidente com chances concretas de derrota e isso coloca um peso adicional na pressão fiscal, muito maior do que vimos em anos passados. Com uma dívida pública que também se encontra em níveis historicamente elevados, pouco abaixo de 80% do PIB, está armada a situação de risco com a qual nos temos defrontado. De certa forma, mesmo que marginalmente ajude na candidatura de Bolsonaro, coloca ainda mais risco na eleição, pois o presidente poderá voltar ao discurso contra as urnas eletrônicas caso o resultado da disputa seja muito parecido entre os dois candidatos.

    Assim, os pacotes recentes não tendem a mudar a história que vemos hoje, mas podem colocar mais risco no cenário ao dar gás para um Bolsonaro que poderia reagir um pouco mais nos próximos meses e que tenderá a confrontar mais e mais o sistema eleitoral. Ao fim e ao cabo, vai ser um segundo semestre bastante tenso na economia.

    Debate

    A CNN realizará o primeiro debate presidencial de 2022. O confronto entre os candidatos será transmitido ao vivo em 6 de agosto, pela TV e por nossas plataformas digitais.

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