Associação dos Delegados da PF critica instabilidade no cargo de diretor-geral

A exoneração de Maurício Valeixo, que foi publicada nesta madrugada no Diário Oficial da União (DOU), marca a terceira troca em três anos no comando da PF

Da CNN, em São Paulo

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O presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, criticou, em entrevista à CNN, nesta sexta-feira (24), a falta de estabilidade no comando da Polícia Federal (PF). A declaração foi feita após a exoneração de Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da PF.

“A nossa questão é que vamos agora para o quarto diretor-geral e a Polícia Federal, como qualquer instituição, não pode passar por tantas mudanças em um período tão curto”, avaliou. “Nós não temos um mandato de diretor-geral. A autonomia administrativa da PF não existe. O diretor-geral não pode sequer nomear a sua equipe sem interferência do ministro ou do governo, então acho que, para além da situação, temos que falar da própria PF, que não está protegida institucionalmente”, acrescentou.

Para ele, essas constantes mudanças criam “uma instabilidade até para fins de administração da PF”. “Não há previsibilidade nem como cumprir projetos porque o novo diretor-geral que será anunciado hoje ou nos próximos dias poderá ser demitido a qualquer momento. A PF é muito importante e demonstrou muito trabalho para a sociedade brasileira e não merece viver assim”, defendeu Paiva.

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A exoneração de Maurício Valeixo, que foi publicada nesta madrugada no Diário Oficial da União (DOU), marca a terceira troca em três anos no comando da PF. A troca de cargo deve gerar, segundo o presidente da ADPF, um efeito cascata na mudança de posições que deve afetar a PF em todo o Brasil. 

Paiva ainda citou que a saída de Valeixo já “era algo anunciado desde a crise do ano passado”, mas que depois das repercussões de quinta-feira pareceu ser algo iminente. De acordo com ele, o agora ex-diretor-geral estava desconfortável no cargo. “Inclusive do ponto de vista humano para ele era muito penoso”, disse ele.

Perguntado sobre se o cargo de diretor-geral deve estar relacionado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública ou ao presidente da República, Paiva frisou o que está na lei, mas citou possível acordo entre Moro e Bolsonaro.

“A nomeação é atribuição do presidente e é o que está escrito na lei. Se foi negociado com o ministro que ele teria autonomia para nomear todos os cargos abaixo dele, é uma questão que ele deve resolver com o presidente, afinal é ele quem tem a caneta e quem acaba definindo quem serão os ocupantes dos cargos”, disse.

Por fim, o presidente da ADPF citou que “se o ministro não está alinhado com o presidente ele não tem condições de ficar” no comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública. 

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