Barros pede para depor na CPI e diz que governo Bolsonaro combate corrupção

Líder do governo discursou na tribuna da Câmara para defender a administração Jair Bolsonaro de acusações relacionadas à compra de vacinas contra a Covid-19

Larissa Rodrigues, da CNN, em Brasília

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Líder do governo na Câmara, o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) foi à tribuna da Casa nesta quinta-feira (8) e fez um discurso para defender a si mesmo e a administração Jair Bolsonaro (sem partido) das suspeitas de corrupção na compra de vacinas contra a Covid-19.

Em depoimento à CPI da Pandemia, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) revelou que, ao contar para o presidente Bolsonaro sobre os indícios de corrupção na aquisição da Covaxin, o mandatário teria dito que aquilo era “rolo” de Ricardo Barros.

“Há um grande debate na CPI da Pandemia sobre a conduta do governo. Eu quero dizer que o combate à corrupção está no DNA do governo Bolsonaro”, afirmou nesta quinta o parlamentar, que citou a criação de núcleos de integridade para fortalecer os atos da administração pública e de uma diretoria de integridade no Ministério da Saúde com apoio do TCU. “Portanto, o governo Bolsonaro tomou todas as providências para ser mais transparente, e os processos são automaticamente disponibilizados aos órgãos de controle.”

 Em nota, Barros já havia declarado que não participou de nenhuma negociação referente à compra da Covaxin. Na tribuna da Câmara, ele disse que espera depor à CPI. “O deputado Luis Miranda, não tenho nenhuma questão com ele, ele fez o que achou que deveria e eu estou procurando uma oportunidade de ir à CPI para esclarecer os fatos que envolvem meu nome.”  

“Hoje encaminhei ao STF um pedido, já que minha oitiva foi cancelada. Não fui informado da transferência para o dia 20, até porque terá recesso, e a CPI não pode funcionar ao recesso. Eu já fui citado inúmera vezes na CPI. Sempre perguntam as relações das pessoas comigo que dizem não ter relação. Aproveito a oportunidade do esforço do governo Bolsonaro ao combate da corrupção e para pedir para ir À CPI para dar os esclarecimentos e seguir trabalhando por um país melhor”.  

Muitos fatos já foram esclarecidos, diz deputado

O líder do governo é investigado por improbidade administrativa por ter se negado a cancelar um contrato com a Global Gestão quando foi ministro da Saúde, entre 2016 e 2018, mesmo diante da recusa da empresa em entregar medicamentos e devolver os R$ 20 milhões pagos antecipadamente pelo ministério. Sócio da Global, Francisco Maximiano também tem participação na Precisa, empresa que negociou com o governo a compra a Covaxin.

“Muitos fatos já foram esclarecidos. Primeiro, o senhor Maximiano, da Global, empresa que forneceu produtos ao Ministério da Saúde e não entregou na época, já reconheceu dívida e parcelou. Vale lembrar que quando fui ministro da Saúde eu economizei R$ 5 bilhões quando fui ministro, justamente por revisão de contratos administrativos. Em nota ao ‘Fantástico’ [programa da TV Globo], o Maximiano disse que o último contato comigo foi há três anos”, argumentou Barros. 

O parlamentar é o autor de uma emenda à Medida Provisória 1026/2021, que estabelece condições para a importação de vacinas e insumos para o combate à pandemia. O trecho incluído por ele permitiu acelerar a aprovação de vacinas autorizadas em outros países sem depender da Anvisa.

“A emenda foi feita incluindo a Índia, no rol de 11 agências reguladoras, relatada pelo senador Randolfe [Rodrigues, integrante da CPI]. Ele acatou a emenda lá no Senado. O senador Omar Aziz [presidente da CPI] fez a mesma emenda para acatar a Índia”, alegou. Barros citou diversos parlamentares de esquerda que fizeram ou apoiaram emenda parecida, segundo ele, porque a Índia “é o maior produtor de vacinas do mundo”. 

Dep. Ricardo Barros (PP - PR)
O deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) é investigado por improbidade administrativa
Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

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