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    Bolsonaro diz que doações de apoiadores são suficientes para pagar contas e sobram

    Ex-presidente do Brasil deu declaração na tarde deste sábado durante evento do PL Mulher em Santa Catarina, ao lado de sua esposa

    Jair e Michelle Bolsonaro em evento do PL Mulher na tarde deste sábado (29) em Santa Catarina
    Jair e Michelle Bolsonaro em evento do PL Mulher na tarde deste sábado (29) em Santa Catarina Reprodução/CNN

    Pedro Jordãoda CNN

    São Paulo

    O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que as doações de apoiadores feitas por Pix são suficientes para pagar todas as conta dele e ainda sobram. A declaração foi dada na tarde deste sábado (29) em um evento do PL Mulher realizado em Santa Catarina com a presença de Michelle Bolsonaro.

    “Mais do que o valor depositado, quase 1 milhão de pessoas colaboraram, com R$ 0,01 a R$ 20 em média, muito obrigado. Dá para todas as minhas contas e ainda sobra dinheiro aqui para a gente tomar um caldo de cana e comer um pastel com a Michelle”, afirmou abraçando a ex-primeira-dama.

     

     

    Um relatório produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão de combate à lavagem de dinheiro do governo federal, aponta que o ex-presidente recebeu R$ 17,2 milhões via Pix em sua conta pessoal nos primeiros seis meses deste ano.

    Os dados do Coaf mostram que, entre 1º de janeiro e 4 de julho, Bolsonaro recebeu mais de 769 mil transações por meio do Pix que totalizaram R$ 17.196.005,80. O valor corresponde quase à totalidade do movimentado pelo ex-presidente no período, de R$ 18.498.532,66.

    O órgão de combate à lavagem de dinheiro ainda afirma no relatório que as transações atípicas podem estar relacionadas à campanha de doações organizada por aliados de Bolsonaro com o objetivo de pagar as multas impostas ao ex-presidente ao longo dos últimos anos.

    “No período, chamou a atenção o montante de Pixs recebidos em situação atípica e incompatível. Esses lançamentos provavelmente possuem relação com a notícia divulgada na mídia”, diz o relatório, que menciona uma notícia do início de julho sobre a campanha.

    O conteúdo do relatório foi revelado pelo jornal “Folha de S.Paulo” e confirmado pela CNN. O documento foi enviado pelo Coaf à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga os atos criminosos e golpistas do dia 8 de janeiro no Congresso Nacional.

    O relatório do Coaf mostra o valor total transferido via Pix para a conta bancária do ex-presidente e elenca os principais remetentes e destinatários dos pagamentos feitos por meio de sua conta. Os dados detalham apenas os depósitos superiores a R$ 5.000.

    O Partido Liberal (PL), do qual Bolsonaro é presidente honorário, transferiu R$ 47,8 mil em dois lançamentos. A lista inclui ainda militares, empresários, estudantes, pecuaristas, agricultores, advogados e empresas. Segundo o Coaf, 19 contas realizaram pagamentos de R$ 5.000 a R$ 20 mil.

    Três empresas efetuaram transferências para a conta pessoal do ex-presidente que, somadas, chegam a R$ 24,6 mil. Uma delas depositou R$ 9.647,43 na conta de Bolsonaro em 62 lançamentos.

    Um outro relatório do Coaf aponta que Bolsonaro aplicou os R$ 17 milhões em investimentos em renda fixa nos primeiros seis meses do ano.

    O Coaf diz que a situação é “incompatível com os rendimentos” de Bolsonaro. Isso porque o relatório informa que o ex-presidente não possui bens cadastrados em seu banco e que possui participação de 24,90% no capital da empresa Bolsonaro Digital Ltda., que tem faturamento presumido de R$ 460 mil. Os valores dos investimentos também não são compatíveis com os rendimentos mensais de Bolsonaro.

    Em nota, a defesa do ex-presidente explicou que ele não quitou dívidas ainda, mesmo após receber os recursos, porque elas estão em debate na Justiça e que o dinheiro foi investido “justamente para que não fosse gasto” por Bolsonaro.