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    Bolsonaro entra em sucessão na Câmara e se mobiliza contra Marcos Pereira

    Rejeição tem potencial para influenciar decisivamente o processo, já que o partido do ex-presidente tem 99 deputados e constitui a maior bancada da Casa

    Tainá FalcãoDaniel Rittnerda CNN

    Brasília

    O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) entrou diretamente nas conversas sobre a sucessão de Arthur Lira (PP-AL) à presidência da Câmara e está mobilizando seu grupo político contra a candidatura do deputado Marcos Pereira (SP), presidente nacional do Republicanos, que hoje é um dos grandes favoritos ao cargo.

    A rejeição de Bolsonaro a Pereira tem potencial para influenciar decisivamente o processo, já que o partido do ex-presidente da República tem 99 deputados e constitui a maior bancada da Câmara.

    Segundo relatos feitos à CNN por três parlamentares próximos de Bolsonaro, ele já deixou claro que não quer Pereira como substituto de Lira e não pretende apoiá-lo nem mesmo em um eventual segundo turno. As eleições para a presidência da Câmara ocorrem em fevereiro de 2025.

    Na avaliação de Bolsonaro, o deputado do Republicanos estaria muito próximo do governo Lula e há desconfiança de que ele cumpriria acordos com a oposição, envolvendo cargos na Mesa Diretora da Câmara e garantias de votações importantes para os bolsonaristas, como a pauta anti-STF.

    O PL deve ter um candidato próprio, mas com chances muito limitadas de vitória. Com isso, provavelmente apoiará outro nome em eventual segundo turno e terá peso relevante, diante do tamanho de sua bancada.

    Hoje, os favoritos são Pereira e o líder do União Brasil, Elmar Nascimento (BA), o preferido de Lira. A rejeição de Bolsonaro ao presidente do Republicanos pode fortalecer Elmar ou abrir uma corrida do PL para o endosso a um terceiro candidato, como Pedro Lupion (PP-PR), frequentemente citado entre deputados bolsonaristas como alternativa.

    Lupion é presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

    A CNN obteve vários relatos de que Bolsonaro, inclusive, levou sua rejeição ao nome de Pereira em um encontro reservado com o próprio Arthur Lira.

    Bolsonaro passou a virada do ano em Alagoas, na pousada que pertence ao ex-ministro Gilson Machado, e visitou Lira no dia 3 de janeiro. O teor da conversa nunca foi divulgado.

    Procurado pela CNN, por meio de sua assessoria, Lira não comentou. A assessoria de Bolsonaro também não confirmou a informação, que circula entre deputados próximos do ex-presidente.

    Marcos Pereira viajou recentemente no avião presidencial, na ida de Lula ao litoral paulista para o anúncio de um acordo com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em torno do túnel Santos-Guarujá.

    O Republicanos entrou no governo, com a nomeação do deputado licenciado Silvio Costa Filho (PE) para o Ministério de Portos e Aeroportos, mas Pereira sempre ressalta que essa foi uma decisão individual e o partido se mantém independente.