Bolsonaro volta a criticar restrições e diz que lockdown é ‘irresponsabilidade’

País vive pior momento da pandemia, com 22 estados e DF com mais de 80% de ocupação de leitos de UTI

Anna Satie, da CNN, em São Paulo

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a criticar as medidas restritivas para conter a pandemia. Em pronunciamento feito durante evento realizado pela Frente Parlamentar da Micro e Pequena Empresa, nesta quinta-feira (11), ele disse que o lockdown é uma “irresponsabilidade”.

“Até quando podemos aguentar essa irresponsabilidade do lockdown?”, questionou. “Estamos hoje com novas medidas sendo anunciadas, nossa capacidade de endividamento está no limite”. 

Mais cedo, o governo de São Paulo anunciou uma fase emergencial da quarentena, com restrição para todas as atividades não essenciais e proibição de cultos e atividades esportivas. O governador João Doria (PSDB) destacou que, apesar de restritiva, a medida não é ‘lockdown’

Bolsonaro também disse lamentar as mortes, mas que “temos que olhar para a frente”. 

Lamento todas as mortes, lamento essa desgraça que se abateu sobre o mundo, mas temos que olhar para a frente e buscar minimizar a dor dessas pessoas, buscar maneiras de salvá-las, com vacinas, como disse no começo

Jair Bolsonaro, presidente do Brasil

O país enfrenta nesse momento a fase mais grave da pandemia, com recordes sucessivos de vítimas da Covid-19 registradas em 24 horas.

Nesta quarta, o presidente usou máscara e defendeu a vacinação em evento no Palácio do Planalto, uma postura diferente da que vinha adotando até então. 

No entanto, durante o discurso desta quinta, Bolsonaro voltou a criticar medidas adotadas por estados. 

“Para mim, seria muito fácil adotar uma política semelhante às que alguns estão adotando, suprimindo cada vez mais as liberdades individuais que parecem não ser mais garantidas pela Constituição, em troca de continuar sendo presidente sem dor de cabeça. Ficar apenas lamentando. Eu não tenho que lamentar, tenho que agir”. 

Ele também disse nunca ter se oposto à vacinação

“Abrimos para comprar vacinas de todos os laboratórios depois de aprovado pela Anvisa, assim como eu disse. Nunca neguei vacina. Lá atrás, disse que não tomaria vacina sem passar pela Anvisa, foi isso o que fiz. Passou, vamos comprar”, afirmou.

Declarações sobre a vacina

Apesar das declarações, o presidente passou a defender a vacinação apenas recentemente. 
Em outubro do ano passado, Bolsonaro respondeu a um comentário no Facebook dizendo que a Coronavac não seria comprada. Ele também disse que a população brasileira não seria cobaia de ninguém e propôs que a população assinasse um termo de responsabilidade antes de receber o imunizante.

No mesmo mês, Bolsonaro questionou: “Não é mais barato e fácil investir na cura do que na vacina? Ou jogar nas duas, mas não esquecer a cura. A cura, eu sou um testemunho, tomei a hidroxicloroquina, outros tomaram ivermectina, outros tomaram Anita e deu certo”.

Ele também disse, em transmissão ao vivo, que não financiaria a Coronavac. “Ninguém vai tomar a sua vacina na marra não, tá ok? Procura outro. Eu, que sou governo, o dinheiro não é meu, é do povo, não vou comprar a sua vacina também não, tá ok? Procura outro para pagar a sua vacina aí”, declarou, se referindo ao governador João Doria. 

O presidente também já disse que a vacina poderia causar “morte, invalidez e anomalia” e que “se você virar um jacaré [depois de tomar a vacina], é um problema de você”.

Ainda neste mês, em conversa com apoiadores, ele disse que compraria vacinas “na casa da tua mãe”. “Tem idiota que diz ‘vai comprar vacina’. Só se for na casa da tua mãe. Não tem para vender no mundo”, falou.

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