Bolsonaro volta a dizer que avalia recriar Ministério da Segurança Pública

No início de seu governo, em 2019, a pasta foi fundida com o Ministério da Justiça. Bolsonaro admitiu que a “bancada da segurança” reivindica a separação

Diego Freire,

da CNN, em São Paulo

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a afirmar que avalia a recriação do Ministério da Segurança Pública. No início de seu governo, em 2019, a pasta foi fundida com o Ministério da Justiça. Bolsonaro admitiu que a “bancada da segurança” reivindica a separação.

Em 8 de maio, o presidente já havia comentando que o assunto de recriar o ministério estava “na pauta”.

Em conversa com jornalistas no fim da noite desta terça-feira (2), em Brasília, Bolsonaro comentou que pode avançar na recriação do ministério nos próximos dias e disse que o ex-deputado Alberto Fraga (DEM) estaria “cotado” a assumir a pasta.

“Existe a possibilidade [de recriar o ministério]. A tal da bancada da segurança tem essa intenção. Mas, se voltar, se realmente partir para isso, talvez eu converse com o capitão Augusto (PL-SP) [deputado líder da Comissão de Segurança Pública da Câmara] esta semana, se a gente decidir voltar eu já vou dar o nome do ministro antes de começar a tramitar o projeto para evitar especulações. Tem que ser alguém que entenda do assunto realmente para ser ministro da Segurança Pública”, afirmou Bolsonaro.

Questionado se Alberto Fraga seria seu nome favorito, Bolsonaro disse que “teria que conversar com ele”.

“Olha, eu sou amigo do Fraga desde 1982. Tenho que conversar com ele. Porque vai estar abaixo dele a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Federal… Não vou dizer que seja ele, nem que não seja”, disse. “[Ele] é um grande articulador, ele é cotado aí. Nada de bater o martelo, não”, acrescentou.

Bolsonaro extingiu diversos ministérios ao assumir a Presidência. Com a fusão de dois ministérios do governo anterior, a pasta de Justiça e Segurança Pública foi comandada pelo ex-juiz Sergio Moro até abril. Com a saída de Moro, que pediu demissão em meio a acusações de que Jair Bolsonaro tentaria interferir na Polícia Federal, o então advogado-geral da União André Mendonça assumiu o ministério. 

Inquérito 

Bolsonaro comentou também sua expectativa em relação às investigações sobre suposta tentativa de interferência na Polícia Federal.

“Acho que esse inquérito está na mão do senhor Celso de Mello vai ser arquivado. A PF vai me ouvir, estão decidindo se vai ser presencial ou por escrito. Para mim Tanto faz. O cara, por escrito, eu sei que ele tem uma segurança enorme na resposta porque não vai titubear, né? Ao vivo pode titubear. Mas não estou preocupado com isso. Eu posso conversar presencialmente com a Polícia Federal sem problema nenhum. 

O presidente considerou que as mudanças realizadas na PF após a saída de Sergio Moro do ministério foram positivas para a corporação. Rolando de Souza foi nomeado diretor-geral da corporação em maio, após Alexandre Ramagem ser impedido de tomar posse por decisão do ministro Alexandre de Moraes. 

“A Polícia Federal está trabalhando. Senti que estão mais felizes. É uma diferença. Entre eu e você, é uma diferença muito grande. Para o bem ou para o mal. Quando trocou o Moro pelo André também tem uma diferença. Olha, sexta-feira, pela primeira vez como presidente, eu entrei no Ministério da Justiça. Fui muito bem recebido não só pelo ministro, mas pelos servidores mais humildes, funcionários, ascensoristas”, declarou. 

Com informações de Teo Cury

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