Boris Casoy: Lula sabe que eleição presidencial não está ganha

No quadro Liberdade de Opinião desta quinta-feira (27), comentarista Boris Casoy avaliou fala do ex-presidente, que afirmou "confiar" em Geraldo Alckmin, possível candidato a vice nas eleições de 2022

Fabrizio Neitzkeda CNN

Em São Paulo

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No quadro Liberdade de Opinião desta quinta-feira (27), o jornalista Boris Casoy analisou o novo aceno de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a uma possível parceria com o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (sem partido) em uma chapa para a disputa à Presidência em outubro.

Em uma entrevista à Rádio CBN de São José dos Campos, Lula afirmou “confiar” no ex-tucano, que pode integrar a dupla como candidato a vice. “Eu tenho confiança no Alckmin. Se der certo a gente construir essa aliança, tenho certeza que vai ser bom para o Alckmin, vai ser bom para mim, vai ser bom para o Brasil e, sobretudo, bom para o povo brasileiro. É só a gente dar tempo ao tempo para saber se pode ser construída essa aliança, qual partido ele vai entrar… ele ainda não decidiu, mas certamente tem tempo”, disse.

Para Boris Casoy, a fala de Lula indica uma tentativa de aproximação a Alckmin, bem como um “pontapé” na ex-presidente Dilma Rousseff, cuja presença “compromete” a imagem da candidatura. “Ele não é bobo, nem nada. Ele sabe muito bem, melhor que muitos analistas, que a eleição ainda não está ganha, nem definida em termos de primeiro e segundo turno. As pesquisas são simplesmente uma fotografia”, disse.

O jornalista acredita que a preferência de Lula por Alckmin representa uma movimentação do petista à direita no espectro político, mesmo com a ação gerando contestações dentro do PT. O ex-governador, inclusive, já estaria sinalizando a chapa junto a lideranças evangélicas, cujo embate vem sendo delineado, segundo Casoy.

“Neste momento, o panorama das igrejas evangélicas, que não são um monobloco, pelo menos a maioria das igrejas evangélicas está com o presidente [Jair] Bolsonaro (PL), inclusive porque tem participação intensa no governo. Aparentemente, Edir Macedo [líder da Igreja Universal do Reino de Deus] vai ficar com ele.”

Para o comentarista, o trânsito de Alckmin entre os evangélicos é justamente um dos objetivos de Lula, que possui aceitação menor dentro desta porção do eleitorado – embora, relembrou Casoy, seu governo tenha tido “promessas esquerdistas e gestão não tão esquerdista”, trafegando entre as diferentes camadas sociais.

Boris Casoy contestou a proximidade que Lula afirmou ter com Alckmin, recordando ocasiões em que o ex-governador acusou o petista de ser “ladrão”, e questionou o respeito entre as partes. “Eles se odiavam, se degladiavam de todas as maneiras. Um disse tudo do outro. Eleição faz milagre, mas, na verdade, são conveniências que se aproximam.”

“Eu não sou dessas pessoas que dizem que ‘pela política e pelo Brasil vale a pena se aproximar’. Que nada! O Alckmin não achava o Lula um tremendo ladrão? Será que ele mudou de opinião ou é só da boca para fora?”, indagou.

Entrevista de Ciro à CNN

Em entrevista à CNN na quarta-feira (26), o pré-candidato à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes, afirmou que é necessário mudar a maneira como se governa o Brasil com o núcleo político conhecido como Centrão.

“E a necessidade que o Brasil tem de mudar o modelo econômico que se trata de emprego, salário, juros do crediário, preço de petróleo, de combustível, do gás de cozinha. E o modelo de governança política, em que muda tudo para esse tal Centrão nunca sair do poder. Estavam com Fernando Henrique, com Collor, com Lula e agora estão fazendo a desgraça do Brasil de novo com o Bolsonaro. É preciso mudar isso”, disse Ciro.

O Liberdade de Opinião teve a participação de Boris Casoy e Fernando Molica. O quadro vai ao ar diariamente na CNN.

As opiniões expressas nesta publicação não refletem, necessariamente, o posicionamento da CNN ou seus funcionários.

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