Braga Netto nega ataques e diz que não orientou críticas a comandantes

Ex-ministro da Defesa participa do interrogatório no STF por videoconferência

Leticia Martins, Davi Vittorazzi e Maria Clara Matos, da CNN, São Paulo e Brasília
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O ex-ministro da Defesa e da Casa Civil Walter Souza Braga Netto destacou, nesta terça-feira (10), durante interrogatório do Supremo Tribunal Federal (STF), que "jamais" coordenaria ataques aos chefes dos comandos militares com objetivo de pressioná-los a aderir a um plano de golpe de Estado.

"Eu jamais coordenei ataques aos chefes dos comandos militares", disse o réu durante depoimento.

Braga Netto havia sido questionado pelo ministro Alexandre de Moraes sobre uma mensagem que teria enviado ao general e ex-comandante do Exército Marco Antônio Freire Gomes, para “sentar o pau nele”, preservar o almirante Almir Garnier, ex-chefe da Marinha, e criticar o brigadeiro Baptista Júnior, ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB).

Freire Gomes afirma que foi atacado nas redes sociais como uma forma de pressão por optar não aderir ao plano de golpe. Braga Netto diz se recordar das mensagens que viu no inquérito, mas afirmou que as mesmas foram descontextualizadas, além de não lembrar de tê-las enviado.

“Essas mensagens no inquérito estão descontextualizadas. Eu não me lembro de ter enviado essa mensagem. Eu não me lembro de ter feito essa mensagem”, acrescentou.

Braga Netto está preso preventivamente desde dezembro do ano passado por supostamente tentar atrapalhar as investigações policiais. Ele participou do interrogatório por videoconferência.

A Polícia Federal (PF), por sua vez, entende que o general coordenou militares golpistas, incentivou ataques por meio das milícias digitais e com as últimas revelações, também foi apontado como financiador ao ter entregado uma sacola com dinheiro a um “kid preto”.

Braga Netto também é suspeito de ter tentado conseguir informações do acordo de colaboração premiada firmado entre o Ministério Público Federal e o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL).