‘Brasil é o país que mais preserva seu meio ambiente’, diz Bolsonaro

Presidente divulgou mensagem para marcar o Dia da Amazônia; dados do Inpe, no entanto, apontam crescimento no desmatamento

Murillo Ferrari,

da CNN, em São Paulo

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou neste sábado (5) que o “Brasil é o país que mais preserva seu meio ambiente”, em mensagem de vídeo publicada nas suas redes sociais para marcar o Dia da Amazônia.

“A Amazônia é nossa e nós vamos desenvolvê-la, afinal de contas lá existem mais de 20 milhões de brasileiros que não podem ficar desamparados. Parabéns a todos pelo dia da nossa Amazônia, Amazônia cada vez mais brasileira”, completou o presidente.

Além de Bolsonaro, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o deputado estadual Frederico d’Avila (PSL-SP), também participaram da mensagem divulgada nas redes sociais. 

Salles afirmou que o atual governo “valoriza o cuidado com as pessoas da Amazônia e com o meio ambiente da Amazônia”.

“E para isso [temos] as medidas importantes que o senhor tem apoiado: a valorização das pessoas do meio ambiente, da regularização fundiária, do zoneamento econômico ecológico, a bioeconomia e o pagamento pelos serviços ambientais no Programa Floresta+”, completou.

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Salles, Bolsonaro e o deputado estadual Frederico d'Avila (PSL-SP) em vídeo
Salles, Bolsonaro e o deputado estadual Frederico d’Avila (PSL-SP) em vídeo sobre o Dia da Amazônia
Foto: Reprodução/ jairmessias.bolsonaro/ Facebook

O Dia da Amazônia foi criado para conscientizar as pessoas sobre a importância da maior floresta tropical do mundo. O dia 5 de setembro foi escolhido em referência à data de criação da Província do Amazonas (atual estado do Amazonas) pelo imperador D. Pedro II, em 1850.

A Amazônia ocupa cerca de 59% do território brasileiro, mas também está presente em outros oito países: Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela.

Além das ameaças pelo desmatamento e pelas queimadas, a região também tem sido alvo de garimpo ilegal.

Dados divulgados pela agência Reuters em parceria com a Earthrise Media, uma organização sem fins lucrativos que analisa imagens de satélite, indicou aumento de 20 vezes da mineração ilegal nos últimos cinco anos apenas na reserva ianomâmi, em Roraima.

Desmatamento e queimadas em alta

Dados divulgados em agosto – os mais recentes – mostram que a região da Amazônia Legal teve o maior índice de desmatamento registrado de janeiro a julho desde 2015: 4.731 km². O registro foi feito na plataforma de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

No mesmo período, também foram registrados 26.868 pontos de queimada na Amazônia Legal pelos satélites do Inpe, maior do que o registrado no mesmo período de 2019, que totalizou 25.209.

Outra região que sofreu com as queimadas é o Pantanal, que enfrentou a pior onda de incêndios em agosto de 2020 em 15 anos, ameaçando a biodiversidade da região, que inclui antas, onças, capivaras e a maior densidade de onças-pintadas do mundo.

Polêmica de Heleno e Cármen Lúcia

Também neste sábado, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, publicou em rede social uma mensagem direcionada à ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na quinta-feira (3), a ministra pediu informações ao presidente Bolsonaro e ao ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, sobre o uso das Forças Armadas em terras indígenas e unidades de conservação ambiental na região amazônica.

“A ministra Cármen Lúcia, do STF, acolheu ação de um partido político e determinou que o presidente da República e o ministro da Defesa expliquem o uso das Forças Armadas na Amazônia. Perdão, cara ministra, se a senhora conhecesse essa área, sabe qual seria sua pergunta: ‘O que seria da Amazônia sem as Forças Armadas?'”, escreveu o ministro no Twitter.

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