Brasil manifesta preocupação com atraso de vistos para Assembleia da ONU

A uma semana do evento em NY, documentos para alguns integregrantes da delegação brasileira seguem pendentes; Itamaraty diz que Trump não pode negar a autorização

Leonardo Ribbeiro e Jonatas Martins, da CNN, Brasília
O governo brasileiro não soube informar quantas autoridades ainda necessitam do visto para entrar nos EUA. A demora na emissão dos documentos ocorre em um momento em que o governo de Donald Trump estabeleceu medidas contra o Brasil.  • 10/5/2024 REUTERS/Eduardo Munoz
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O Brasil manifestou ao comitê de relações com o Estado-sede da ONU preocupação com o atraso na concessão de vistos a autoridades brasileiras escaladas para assembleia-geral da entidade, prevista para o próximo dia 23. A questão foi colocada na mesa durante uma reunião em Nova York, na última sexta-feira (12).

Até o momento, a uma semana do evento, alguns pedidos de vistos para autoridades brasileiras continuam pendentes. É o caso do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

“Temos indicação do governo americano que os que ainda não foram concedidos estão em vias de processamento. Não tenho como especular sobre qual vai ser o resultado desse processamento”, disse o diretor do Departamento de Organismos Internacionais do Itamaraty, Marcelo Marotta Viegas.

Segundo o diretor, essa é uma decisão soberana dos EUA. “Ainda que nos casos dos vistos para participação na assembleia da ONU exista uma obrigação claramente estabelecida no acordo de sede que obriga conceder esses vistos. Qualquer medida que não se conforme com o que está estabelecido no acordo é uma violação legal”, completou.

O governo brasileiro não soube informar quantas autoridades ainda necessitam do visto para entrar nos EUA. A demora na emissão dos documentos ocorre em um momento em que o governo de Donald Trump estabeleceu medidas contra o Brasil.

Uma delas é a tarifação de 50% dos produtos brasileiros importados pelos americanos. Também foram revogados os vistos do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e de dois servidores públicos que atuaram na implantação do programa Mais Médicos, em 2013.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarcará para Nova York no próximo fim de semana e deverá ficar por lá até do dia 25. Na terça-feira, ele fará o discurso de abertura da reunião da Assembleia Geral da ONU, seguido pelo presidente americano.

A agenda presidencial também prevê a participação de Lula em eventos sobre democracia, clima e a criação do Estado palestino.