Brasil não aguenta mais reajuste de combustíveis, diz Bolsonaro

Presidente voltou a criticar aumento dos combustíveis e citou lucro da Petrobras "às custas do povo brasileiro", em discurso durante evento do agronegócio no Rio Grande do Sul

Fabrício Juliãoda CNN

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O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a criticar neste sábado (7) os sucessivos reajustes de preço dos combustíveis anunciados pela Petrobras, em discurso no encerramento da 23ª Feira Nacional da Soja, realizada em Santa Rosa (RS).

“Nesta semana, vocês estão conhecendo um pouco mais o que é a Petrobras aqui no Brasil. Eles sabem que o país não aguenta mais um reajuste de combustível em uma empresa que fatura dezenas de bilhões de reais por ano, às custas do nosso povo brasileiro”, afirmou o presidente.

Segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a gasolina comum subiu pela quarta semana consecutiva no Brasil e registrou o maior preço médio da série histórica. Nesta semana, o combustível foi verificado com o preço médio de R$ 7,29 no Brasil, aumento de cerca de um centavo em comparação com os R$ 7,28 da semana anterior.

Ontem (6), em sua primeira conferência com investidores depois de ter anunciado o lucro de R$ 44,5 bilhões no primeiro trimestre de 2022 da Petrobras, o novo presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho reiterou os compromissos da estatal com o preço de paridade internacional (PPI) dos combustíveis.

“O que nos leva ao resultado de hoje, além da elevação do preço do barril de petróleo, é a gestão responsável. Não podemos nos desviar dos preços de mercado, uma condição necessária para a geração de riqueza, não só para a companhia, mas para toda a sociedade brasileira, para o país”, afirmou Ferreira Coelho. Os comentários dele ocorreram um dia depois de Bolsonaro ter classificado o lucro da Petrobras como um “estupro”.

A atual política de preços da Petrobras foi implementada em 2016, durante o governo do então presidente Michel Temer (MDB), e baseia os custos dos combustíveis nas despesas de importação, que variam com o câmbio e incluem custos de transporte tarifas portuárias.

Covid-19 e guerra

Bolsonaro também disse no discurso deste sábado que “ninguém enfrentou” os desafios que o seu governo teve pela frente, ao citar as consequências da pandemia de Covid-19 e da guerra na Ucrânia.

“Aqueles que duvidam do nosso governo se enganam. Ninguém enfrentou o que nós enfrentamos. Hoje, temos um governo que cada vez mais ganha o respeito de sua população, porque a verdade está em primeiro lugar para nós. Temos um governo que acusam sobre corrupção, mas nada provam”, declarou.

O presidente também mencionou as negociações com a Rússia sobre a importação de fertilizantes pelo Brasil, durante a polêmica viagem a Moscou dias antes das tropas russas invadirem a Ucrânia e iniciarem uma guerra.

“O agronegócio, quando vislumbrou passar por um problema sério sobre os fertilizantes, eu e uma equipe do meu governo, entre eles, o general Braga Netto, fomos para a Rússia negociar esse minério”, disse.

“Hoje, mais de 25 navios já chegaram ao Brasil com fertilizantes. A nossa agricultura, o nosso agronegócio, não pode e nem vai parar. É o trabalho, o suor, o empenho, que mantêm a nossa economia de pé. Mais que isso, que nos garante a nossa segurança alimentar”, ressaltou.

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