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    Braskem foi ignorada em discursos no plenário do Senado em 2023 e citada oito vezes na Câmara

    Levantamento foi feito pela CNN considerando os registros taquigráficos nas Casas até a última sexta-feira (8)

    Senado não teve discursos a respeito da Braskem até o dia 8 de dezembro, segundo levantamento da CNN
    Senado não teve discursos a respeito da Braskem até o dia 8 de dezembro, segundo levantamento da CNN 11/02/2021REUTERS/Adriano Machado

    Luciana Amaralda CNN

    Brasília

    A petroquímica Braskem, responsável pela mina que entrou em colapso em Maceió (AL), foi ignorada em discursos no plenário do Senado ao longo de 2023.

    Em momento nenhum a Braskem foi citada nominalmente pelos senadores no plenário, conforme o registro taquigráfico de pronunciamentos até sexta-feira passada (8). Parte da mina se rompeu no domingo (10).

    A CNN usou as palavras-chaves “Braskem” e “mina” em buscas feitas no sistema do Senado. O levantamento não inclui eventuais falas sobre a Braskem em comissões.

    O senador Renan Calheiros (MDB-AL) apresentou pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as ações da Braskem em Alagoas.

    Os líderes partidários indicaram os membros para compor o colegiado e a previsão é que a CPI seja instalada na manhã desta quarta-feira (13).

    No entanto, o colegiado só deve funcionar a pleno vapor a partir do ano que vem por causa do recesso parlamentar, marcado para começar em 23 de dezembro. A articulação pelo andamento da CPI só ganhou força com o agravamento da situação em Maceió nas últimas semanas.

    Citações na Câmara

    Na Câmara dos Deputados, a Braskem foi citada em pelo menos oito ocasiões neste ano em plenário, segundo o portal da Casa. O levantamento também considerou as falas ao longo do ano até a última sexta-feira. A maioria das falas foi sobre a situação em Maceió, em tons de críticas à Braskem.

    Fizeram discursos falando sobre o problema os deputados Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), Paulão (PT-AL), Marx Beltrão (PP-AL) e José Medeiros (PL-MT).

    “Nós temos a beleza exuberante das nossas lagoas, dos nossos oceanos. Mas eu quero dizer que existe uma empresa, a Braskem, que, por sinal, financia muitos políticos, a qual, pela atividade predatória e ganância, durante mais de quatro décadas de exploração do nosso subsolo, obrigou mais de 50 mil maceioenses a sair de suas casas, a perder seu comércio, a destruir escolas, postos de saúde, a história cultural e socioeconômica destas comunidades”, declarou Alfredo Gaspar em 14 de fevereiro deste ano. “Eu, que fui chefe do Ministério Público do Estado de Alagoas, pude acompanhar de perto esta tragédia e ver como é difícil litigar contra uma empresa poderosa neste país”.

    Procurada pela CNN, a Braskem não se manifestou sobre as críticas de parlamentares. Quanto à mina em Maceió no domingo, informou que “câmeras registraram movimento atípico de água na lagoa Mundaú, no trecho sobre esta cavidade, indicando movimento no solo da lagoa (potencial colapso)” e que a empresa “estará à disposição, como sempre esteve, para responder com transparência a questionamentos”.