Câmara aprova volta das comissões em modelo semipresencial

Realização das sessões, que estava suspensa desde março de 2020, terá modelo híbrido ou semipresencial. Deputados do grupo de risco participarão remotamente

Noeli Menezes, da CNN, em Brasília
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A Câmara aprovou nesta quinta-feira (11) o projeto de resolução que autoriza a retomada do funcionamento de todas as comissões e do Conselho de Ética durante a pandemia de Covid-19. Os deputados ainda analisam cinco destaques que podem alterar o texto.

A realização das sessões, que estava suspensa desde março de 2020, terá modelo híbrido ou semipresencial. Deputados do grupo de risco poderão participar de maneira remota.

A volta das comissões é mais uma das promessas de campanha do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Parlamentares reclamavam da aprovação de projetos diretamente no plenário, sem discussão nos colegiados da Casa.

O relator do texto, Marcelo Ramos (PL-AM), incluiu no projeto a volta do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Com isso, processos disciplinares contra deputados poderão ser analisados.

É o caso do processo que pede a cassação do mandato da deputada Flordelis (PSD-RJ), acusada de mandar assassinar o marido, o pastor Anderson do Carmo, morto a tiros na garagem da residência do casal em junho de 2019. A deputada nega participação no crime.

Aglomerações

Durante a sessão, parlamentares da oposição citaram as aglomerações registradas nas sessões de eleição da Mesa, no início do mês. Eles pediram que o relator definisse o número de comissões e o número de pessoas presentes nos plenários.

“É importante calibrar a retomada do trabalho num sistema híbrido. É bom lembrar que a Câmara foi pioneira no mundo em relação às sessões remotas, mas é bom também ressaltar que, após a retomada dos trabalhos no dia 1º, houve o registro de quase 30 casos de Covid de pessoas que circularam pela Câmara”, defendeu o deputado Gustavo Fruet (PDT-PR).

Para a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), é preciso “proteger os trabalhadores da Casa. “Precisamos proteger os trabalhadores parlamentares, para que não coloquemos a vida de ninguém em risco. Mas penso que o projeto é importante, porque ele traz as duas possibilidades, a do sistema presencial e a do sistema híbrido”, ponderou a parlamentar.

Segundo Marcelo Ramos, detalhes da organização das sessões serão definidos por ato administrativo da Mesa, e não caberiam no texto da resolução.

Novos comandos

A retomada das comissões deve acontecer depois do Carnaval, após a eleição dos presidentes dos colegiados e da indicação dos integrantes pelos partidos.

A escolha da presidência da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), considerada a mais poderosa, já é alvo de polêmica. Por ter a maior bancada, o PSL tem direito de indicar o comando do colegiado.

Em negociação para eleger o presidente do partido, Luciano Bivar (PSL-PE), para a Primeira Secretaria da Mesa, a ala bolsonarista da legenda conseguiu a indicação da deputada Bia Kicis (PSL-DF) para presidir a CCJ.

Aliada do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Bia é alvo de inquérito do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre atos antidemocráticos.

No comando da comissão, a deputada poderia promover pautas de interesse do governo.