Câmara aprova urgência de projeto que acaba com delação premiada de presos

Texto poderá ser analisado diretamente pelo plenário da Casa, sem passar por comissões temáticas

Rebeca Borges, da CNN, Brasília
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A Câmara aprovou, nesta quarta-feira (12), a urgência para o projeto de lei que acaba com a delação premiada de presos.

O requerimento foi aprovado em votação simbólica.

Com a aprovação da urgência, o texto poderá ser analisado diretamente pelo plenário da Casa, sem necessidade de passar por comissões temáticas.

Proposta de 2016

O projeto de lei original que proíbe a delação premiada de presos foi apresentado em 16 de fevereiro de 2016 pelo então deputado federal Wadih Damous (PT-RJ), que atualmente é secretário Nacional do Consumidor.

Em 2016, quando a proposta foi apresentada, a então presidente Dilma Rousseff (PT) enfrentava a abertura do processo de impeachment. Além disso, o então governo lidava com o avanço da operação Lava Jato.

Retroativo?

O texto não deixa claro se a proibição será retroativa. Ou seja, se delações premiadas já validadas serão anuladas.

A matéria acabou não avançando significativamente dentro da Câmara desde que foi apresentado em 2016.

Inclusão

Agora, a matéria foi apensada a um texto apresentado em 2023 pelo deputado Luciano Amaral (PV-AL).

O texto dele diz que, entre os aspectos na homologação da colaboração premiada, deve ser observada a “voluntariedade da manifestação de vontade, especialmente nos casos em que o colaborador está ou esteve sob efeito de medidas cautelares, presumindo-a ausente na hipótese de privação cautelar da liberdade”.

Esta última parte – “presumindo-a ausente na hipótese de privação cautelar da liberdade” – não consta na legislação atualmente em vigor.

O projeto não prevê a punição da divulgação do conteúdo das colaborações premiadas. Por outro lado, afirma que “os terceiros implicados poderão impugnar o acordo de colaboração premiada e a decisão homologatória”.