Campanha de Lula busca afastar presidente de associações com STF
Segundo apuração de Tainá Falcão, equipe do presidente aposta no Desenrola 2.0 como novo mote eleitoral para reeleição
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca reformular seu discurso político após a derrota de Jorge Messias no Supremo Tribunal Federal (STF), segundo apuração da apresentadora Tainá Falcão. A estratégia envolve afastar as associações do governo ao escândalo do Banco Master e encontrar novos temas para atrair um eleitorado que mantinha ressalvas em relação à gestão federal.
Durante o Bastidores CNN desta segunda-feira (4), Tainá contou que integrantes da equipe de campanha de Lula avaliavam que os índices desfavoráveis nas pesquisas se deviam, em parte, à associação do governo com o STF e com o escândalo do Banco Master.
A análise da equipe de Lula é que o problema não é o grau de envolvimento do governo no caso, que é considerado um escândalo suprapartidário, que atinge diferentes esferas de poder e espectros ideológicos, mas sim o fato de Lula ocupar a presidência da República, o que o tornava símbolo do status quo e, por consequência, alvo natural das críticas ao sistema.
A derrota de Jorge Messias, associada a um suposto acordo entre o STF, a oposição e a cúpula do Senado Federal, é vista agora, segundo apuração de Tainá, como uma oportunidade para Lula se desvincular politicamente da Corte.
Durante o atual mandato, o STF foi percebido em diversas ocasiões como um apoiador do governo, revertendo decisões do Congresso Nacional em favor do Executivo. Com o novo cenário, a avaliação é de que Lula pode se distanciar dessa imagem e reconstruir seu posicionamento perante o eleitorado.
A equipe de campanha de Lula se reúne às segundas-feiras com o presidente para definir estratégias voltadas às eleições de outubro. Segundo Tainá, Lula tem demonstrado insatisfação com a falta de um mote político consistente e com a dificuldade de reapresentar as realizações do governo, especialmente na área econômica.
A aposta no Desenrola 2.0 surge como uma das iniciativas para renovar o discurso e atrair um eleitorado que se mostrava reticente em relação ao alinhamento do governo com o Supremo Tribunal Federal.


