Campanha para eleições 2022 começa com atritos nas pré-candidaturas ao Planalto

Candidatos enfrentam divisão e desconfiança dentro dos partidos

Da CNN

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As campanhas para as eleições 2022 começaram com divergências nas maiores candidaturas ao Planalto.

Considerada por muitos especialistas como as eleições mais importantes desde a redemocratização do Brasil, figuras conhecidas dos eleitores enfrentam problemas dentro dos próprios partidos.

A âncora e os analistas da CNN Daniela Lima, Gustavo Uribe, Renata Agostini e Leandro Resende fizeram um panorama atual das movimentações na corrida presidencial, com análises das chapas de Bolsonaro, Lula, Moro e outros pré-candidatos.

Veja a análise completa no vídeo acima e os principais pontos no texto.

“Separar o joio do trigo”

O presidente Jair Bolsonaro (PL) tenta a reeleição. De acordo com as pesquisas eleitorais mais recentes, ele está em segundo lugar nas intenções de voto.

Bolsonaro enfrenta uma divisão dentro da base de apoiadores, o que pode impactar na candidatura – e é um dos receios de seus aliados.

Como explicou Daniela Lima, o governo atual teve início ancorado em três alas: ideológica, militar e política.

Gustavo Uribe afirma que antes havia uma disputa entre as alas ideológica e militar. Porém, com a aproximação ao Centrão, a ala política ganhou força. Isso afastou os dois outros grupos.

Recentemente, atuais e ex-ministros de Bolsonaro entraram em confronto.

O secretário nacional de Cultura, Mario Frias, publicou uma série de ataques aos irmãos Weintraub. Os dois são considerados oportunistas por integrantes do governo. O ministro das Comunicações, Fabio Faria, moveu ação contra Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores, por calúnia e difamação.

Araújo era considerado um dos principais integrantes da ala ideológica.

Um dos filhos do presidente também tomou posição nessa intriga. Nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro disse que é necessário “separar o joio do trigo”. Um momento de “depuração” da base bolsonarista.

Leandro Resende explica que a avaliação interna e de pessoas próximas à família do presidente é de que há dificuldade em separar quem ainda é bolsonarista e quem se aproveitou nas eleições.

Assim, um dos principais pontos para a chapa de Bolsonaro será o apaziguamento dentro da sua própria base e entender quem pode ou não ser seu aliado nas eleições 2022.

Ação cirúrgica

O principal adversário do presidente Jair Bolsonaro, até o momento, é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lidera as pesquisas de intenção de voto.

Lula ainda não tem um vice definido para sua chapa, mas tudo indica que a vaga será preenchida por Geraldo Alckmin (sem partido).

Como explicou Daniela Lima, essa é uma sinalização aos partidos de centro, setor que o ex-presidente tenta atrair para sua base eleitoral. Uma espécie de “carta viva às elites”.

Porém, ele sofre com pressões dentro do Partido dos Trabalhadores (PT).

Figuras influentes no partido, como Rui Falcão e Luiz Marinho, são contra a aliança com Alckmin.

Porém, Renata Agostini afirma que os movimentos de Lula e a força que ele tem dentro do partido para apaziguar a situação são, por hora, suficientes.

De acordo com fontes no partido, ainda há divergências quanto a Alckmin, mas não há mais um movimento expressivo para barrar essa união.

Cortejo a Moro

Sergio Moro se filiou recentemente ao Podemos. Porém, há a possibilidade de que o ex-juiz troque de partido e integre o União Brasil.

Renata Agostini explica que ele é considerado uma “consquista” dentro do Podemos, que tenta adquirir cada vez mais relevância em âmbito nacional.

Porém, segundo Gustavo Uribe, o partido está preocupado com a “bolsonarização” da sigla. Isso ocorre porque Moro atrai muitos apoiadores do atual governo.

Assim, seria necessário uma “depuração” de quem deve entrar no partido ou não. Além disso, fontes na sigla entendem que o ex-juiz precisa se identificar mais com o centro, também evitando esse movimento para a direita.

A identificação é, também, o principal ponto que ele deverá levar em consideração para mudar de partido ou não.

De acordo com Daniela Lima, Moro tem consultado outras figuras políticas, as indagando sobre a situação.

O senador Alvaro Dias, integrante do Podemos, disse que conversou com o ex-juiz e o alertou que “uma coisa é uma aliança, outra é escolher um partido. Tem de ter identificação”.

Racha no MDB

Simone Tebet é a atual pré-candidata à presidência pelo MDB.

Porém, com o desempenho ruim nas primeiras pesquisas eleitorais, uma ala do partido crê que ela não deve seguir como indicada da sigla, sendo possível compor uma chapa como vice ou então se mantendo apenas como apoio.

Tebet, por sua vez, não pensa em ser vice.

Uma saída então seria ter o apoio de outros partidos, outra tarefa difícil.

Michel Temer, principal apoiador de Tebet como candidata, é pressionado a fazer acordo com o PSDB e a convencer a ser vice na chaa de João Doria.

Plano de legado

João Doria também tem obstáculos a serem superados dentro de seu partido, o PSDB.

Como Daniela Lima explicou, para conseguir se lançar como candidato à presidência, ele criou rusgas com várias pessoas dentro da sigla. A principal delas é Aécio Neves.

Outro ponto é que ele também não despontou nas primeiras pesquisas eleitorais, motivo de trauma do partido, que não teve boa campanha com Alckmin nas últimas eleições.

Assim, a análise é que se ele não conseguir melhores resultados até abril ou maio, haverá pressão dentro do PSDB par que seja feita uma composição e até a possibilidade de não ser mais candidato.

Para evitar isso, Doria tem montado um plano com um time de especialistas.

Além disso, chamou Rodrigo Maia (sem partido) para ser o coordenador de governo dele.

Em conversa com a âncora da CNN, Maia disse que o plano de governo que pretendem apresentar discutirá os problemas do brasileiro, não do Brasil, acenando a deputados para os ajudarem, mesmo que não apoiem o governador.

“Plano de governo que será legado para o Brasil”, disse.

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