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    Eleições 2022

    Campanha petista pretende reatar relações com Venezuela

    Ideia é reverter a tentativa de isolamento que o governo Jair Bolsonaro tentou impor a Nicolás Maduro

    Caio Junqueirada CNN

    Os planos da campanha petista com a América do Sul envolvem a retomada de relações com a Venezuela. A ideia é reverter a tentativa de isolamento que o governo Jair Bolsonaro tentou impor ao ditador Nicolás Maduro ao determinar a retirada do embaixador brasileiro do país em 2020 e o reconhecimento do opositor Juan Guaidó como presidente da Venezuela.

    Embora formalmente as relações não tenham sido rompidas, na prática elas não existem porque sequer há um serviço consular no país vizinho.

    Nesse sentido, o debate na campanha é retomar na prática as relações com a Venezuela enviando nas primeiras semanas um corpo diplomático e deixando de reconhecer Guaidó como presidente do país.

    A avaliação é de que a tentativa de isolamento da Venezuela se mostrou frustrada porque abriu espaço para que países asiáticos, em especial a China e a Rússia, se aproximassem da Venezuela.

    O QG petista inclusive avalia que estados que fazem fronteira com o país, Amazonas e Roraima, querem reatar relações tanto por questões humanitárias –conter os refugiados — quanto por questões comerciais.

    Os petistas também avaliam a criação de um novo colegiado na região para debater a relação. Seria um modelo parecido ao da Unasul, criada em 2008 no governo Lula, mas que em 2017, já no governo Michel Temer, acatou uma cláusula democrática que obrigava os países da região a terem regimes democráticos, o que acabou por levar à saída da Venezuela do grupo.

    Sobre clima, há um plano por exemplo para que a América do Sul, principalmente os oito países da região amazônica (Brasil, Guiana, Peru, Bolívia, Colômbia, Equador, Suriname e Venezuela) possam liderar em conjunto na região temas climáticos perante fóruns mundiais, aproveitando-se para tanto do contexto atual de uma maioria de países com dirigentes à esquerda na região. Fala-se até mesmo em resgatar a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), um documento de 1978.

    Os petistas também pretendem abordar assuntos comuns com o vizinho com o continente africano. A vice-presidente da Colômbia, Francia Márquez, já mandou sinais ao QG petista de que há interesse em aproximação com a África e que se Lula vencer pretende que seja uma agenda comum com o Brasil.

    “A política Sul-Sul voltaria forte, mas isso não se faria em detrimento de relações com a Europa, Estados Unidos e China”, disse o diplomata Audo Faleiros, que assessorou Marco Aurelio Garcia, consultor de assuntos internacionais nos governos Lula e Dilma Rousseff, e tem acompanhado parte dos debates no PT.