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    Candidata do Pros no DF repassou R$ 160 mil ao escritório para o qual trabalha

    Julia Rodrigues Monteiro Barros é advogada e recebeu 362 votos na eleição para a Câmara Federal

    Urnas eletrônicas sendo testadas
    Urnas eletrônicas sendo testadas Divulgação TSE

    Gabriel Hirabahasida CNN

    Em Brasília

    Uma candidata a deputada federal pelo Pros (Partido Republicano da Ordem Social) no Distrito Federal repassou R$ 160 mil ao escritório para o qual trabalhava até pouco antes da eleição e para o qual voltou a trabalhar logo após o fim da campanha.

    Julia Rodrigues Monteiro Barros é advogada, tem 29 anos, e foi candidata pelo Pros à Câmara Federal. Teve uma votação inexpressiva (apenas 362 votos), assim como outros candidatos do partido. Apesar disso, recebeu R$ 400 mil da cúpula partidária do Pros. O repasse, segundo a prestação de contas da própria candidata, foi feito às vésperas da eleição, no dia 30 de setembro. A eleição foi realizada no dia 2 de outubro, dois dias após o recebimento dos recursos.

    A candidata declarou, então, uma série de gastos com a campanha. No dia 1º de outubro, disse à Justiça Eleitoral ter pago R$ 160 mil para o escritório de advocacia Andreive Ribeiro Sociedade Individual de Advocacia. Monteiro confirmou à CNN sua ligação com o escritório de advocacia.

    “Sim, trabalhei com dr. Andreive de maio até início de agosto. Saí para fazer minha campanha. Agora, [no] final de novembro, fui convidada para retornar e aceitei”, disse a advogada em mensagem enviada à CNN.

    Andreive Ribeiro tinha contratos com o Pros da época em que o presidente da sigla era o perito aposentado da Polícia Civil Marcus Holanda. O partido passou por reviravoltas e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) colocou Eurípedes Jr. no poder da sigla. Ribeiro continuava atuando na defesa de Holanda em alguns casos. Após ser publicada pela Justiça Eleitoral a informação de que o escritório de Andreive Ribeiro havia recebido recursos vindos do fundo partidário do Pros, ele deixou de representar Holanda.

    Além do pagamento ao antigo escritório, Julia Monteiro também declarou ter gastado, no dia 1º de outubro, mais de R$ 150 mil com empresas com sede em Boa Vista, capital de Roraima, a cerca de 2.500 km de Brasília, onde a advogada foi candidata.

    Foram R$ 110 mil gastos com uma empresa que teria fornecido “prestação de serviços de marketing”, segundo sua declaração feita à Justiça Eleitoral. Outros R$ 43 mil foram gastos com a “prestação de serviços de produção de vídeos”.

    Os dados detalhados da prestação de contas de Julia Monteiro ainda indicam outras suspeitas. Apesar de ter obtido pouco mais de 300 votos, a candidata pagou R$ 25 mil para cinco pessoas que teriam atuado como “coordenadores de campanha”, segundo as informações. Cada uma delas recebeu R$ 5 mil.

    A advogada gastou, ainda, mais de R$ 30 mil com mais de 50 pessoas que teriam prestado “serviços de militância”. Cada uma dessas pessoas recebeu R$ 600. Também foram usados R$ 15 mil com o aluguel de cinco carros.

    Outros casos no partido

    Julia Monteiro é mais uma de diversos candidatos do Pros que receberam consideráveis recursos do fundo eleitoral, mas tiveram como resultado votações inexpressivas nas eleições. Ao todo, segundo levantamento feito pela CNN, mais de R$ 18 milhões foram repassados a candidatos nessas condições.

    No Distrito Federal, assim como ela, outros candidatos também tiveram casos semelhantes.

    A advogada Karen Lucia Santos Rechmann tentou uma vaga na Câmara Distrital da capital federal, mas teve míseros 80 votos. Contou, em sua campanha, com R$ 100 mil fornecidos pelo Pros. O vigilante Lusiano Francisco de Sousa, também candidato a deputado distrital, teve 103 votos.

    Os dois contrataram “serviços de marketing” de um trabalhador cuja empresa tem endereço sediado em João Pessoa (PB). Rechmann pagou R$ 55 mil, enquanto Sousa pagou R$ 76 mil.