Candidatos à presidência do PT dizem que Congresso tenta “sufocar” governo
Em carta à militância, três signatários criticaram a derrubada do decreto do IOF e acusam Congresso de tentar esvaziar poderes de Lula

Três dos quatro candidatos à presidência nacional do Partido dos Trabalhadores divulgaram uma carta conjunta à militância petista com um alerta sobre o atual cenário político no Congresso Nacional.
No documento, os signatários afirmam que a direita — inclusive partidos com ministros no governo — estaria tentando “sufocar” a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“O alerta: a situação política é gravíssima. A maioria do Congresso Nacional, inclusive os partidos de direita com ministros no governo federal, está tentando sufocar o governo Lula”, afirma a carta.
Assinam a carta os candidatos Valter Pomar (Articulação de Esquerda), Romênio Pereira (Movimento PT) e Rui Falcão (Novo Rumo). O único presidenciável petista que não endossou o documento foi Edinho Silva (Construindo um Novo Brasil).
No manifesto, os candidatos fazem críticas diretas à aprovação do PDL (Projeto de Decreto Legislativo) que derrubou a elevação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) proposta pelo governo.
“A votação foi a gota d’água de algo que está acontecendo desde o golpe contra a presidenta Dilma, em 2016. Os parlamentares de direita querem governar o Brasil, esvaziando os poderes que o povo delegou ao presidente Lula”, diz a carta.
O decreto derrubado previa um aumento no IOF com expectativa de arrecadação de até R$ 10 bilhões em 2025. A proposta, no entanto, encontrou forte resistência no Congresso. Com 383 votos favoráveis na Câmara e aprovação simbólica no Senado, o Legislativo revogou a medida — o que desencadeou uma nova crise entre Executivo e Congresso.
A AGU (Advocacia-Geral da União) deve protocolar nesta terça-feira (1º) uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar restabelecer a validade do decreto presidencial.
Na carta, os candidatos ainda acusam o Congresso de tentar retirar o papel do presidente Lula.
“O povo votou em Lula. O Congresso quer governar no lugar de Lula. Lula quer melhorar a vida dos pobres. A direita no Congresso quer proteger os ricos”, afirmou.
Além disso, a carta também propõe medidas como:
- mobilização popular contra o arrocho fiscal e a política de juros do Banco Central;
- substituição de ministros cujos partidos atuam contra o governo;
- judicialização da revogação do IOF no Supremo Tribunal Federal;
- e revisão de subsídios que favorecem os super-ricos.
Eleições do partido
Além da crítica ao cenário institucional, a carta também tem objetivo eleitoral interno. Os signatários convocam a militância a participar das eleições para a presidência nacional do PT, marcadas para o próximo dia 6 de julho. Se necessário, o segundo turno ocorrerá em 20 de julho.
“No dia 6 de julho, a militância petista precisa votar nas chapas e candidaturas que propõem sair da defensiva e ir para o embate”, pede a carta.
Após 12 anos, a sigla decidiu retomar o modelo de eleições diretas para as instâncias partidárias. Nas duas últimas duas eleições — em 2017 e 2019 — a deputada Gleisi Hoffmann foi eleita e reeleita presidente do PT, com apoio de Lula, em votação híbrida.
Gleisi, atual ministra da Secretaria de Relações Institucionais, deixou o cargo em março para assumir a pasta. O senador Humberto Costa (PE) é presidente interino do partido desde então.
A disputa promete ser a mais acirrada da história.
Quatro nomes estão concorrendo à liderança do partido, representando diferentes correntes:
- Edinho Silva;
- Valter Pomar;
- Romênio Pereira;
- Rui Falcão.


