Candidatos a vice-governador rejeitam papel decorativo e intensificam atuação

CNN entrevistou vices das três chapas mais bem colocadas nos cinco maiores colégios eleitorais do país

Pedro Duran, da CNN, no Rio de Janeiro
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O nome pequenininho no canto do adesivo, a foto em tamanho menor na urna e aquela “sombra” em debates e eventos de campanha estão longe de ser os retratos mais fiéis dos candidatos a vice-governador nas eleições de 2022.

De maratonas pelo interior a conversas setoriais, passando por ouvidores dos mandatários e promotores de comícios e carreatas, os concorrentes ao segundo maior cargo nos estados têm assumido diversas funções.

Ora são “embaixadores”, representando os cabeças-de-chapa em eventos, ora são porta-vozes ou lobistas com setores específicos da sociedade, como mostra levantamento da CNN em cinco estados que, juntos, somam mais de 53% do eleitorado.

A reportagem entrevistou os 15 candidatos a vice-governador das três chapas mais bem colocadas nas pesquisas mais recentes em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul. Também ouviu integrantes das campanhas para detalhar exatamente o papel dos vices nesta disputa.

São Paulo: a professora e os ex-prefeitos

Líder nas pesquisas em São Paulo, o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) recorreu a um plano B. Sua ideia inicial era ter a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) como vice, mas ela não aceitou o convite – optou por concorrer à Câmara dos Deputados.

A predileção por uma mulher fez com que a campanha ficasse entre a médica Mariane Pinotti e a professora Lúcia França, ambas do PSB. O partido resolveu indicar a segunda, esposa do candidato ao Senado por São Paulo, também pelo PSB, Márcio França.

“Visitei algumas agriculturas familiares no interior de São Paulo, cooperativas de mulheres que mexem com lixo reciclável, e tenho ido a igrejas evangélicas. É claro que sempre a minha pauta com o público feminino fica mais fácil”, disse Lúcia em entrevista à CNN.

Ela conta que visitou com Haddad cerca de 30 das 645 cidades do estado. Lúcia tem feito eventos ao lado de Ana Estela, esposa de Haddad, Janja, esposa de Lula, e Lu Alckmin, esposa do vice na chapa de Lula, todas em busca do voto feminino.

Lúcia diz que pretende ampliar territórios para além de São Vicente, na Baixada Santista, onde seu marido foi prefeito duas vezes. Na região, o filho deles, Caio França (PSB), teve votos para se eleger deputado estadual. “Então a gente está tentando atuar nos diversos lugares”, conta ela.

Pouco mais de duas horas de viagem de carro separam São Vicente de São José dos Campos, pólo tecnológico e sede de empresas como Embraer, Philips e Panasonic e centros de ensino e pesquisa como Inpe, Unesp e ITA. Foi lá que Tarcísio de Freitas (PL) buscou seu vice.

Felício Ramuth (PSD), quer aproveitar a aceitação na cidade onde foi reeleito prefeito em 2020 com 58% dos votos válidos, para ser o “embaixador” de Tarcísio no interior.

“Eu tenho a missão do Vale do Paraíba porque eu tenho uma boa aceitação em São José dos Campos. Eu tenho uma agenda visitando cidades e visitando rádios que deem espaços para os vices. Algumas agendas a gente faz em conjunto”, diz Ramuth.

A viagem de São José dos Campos para Olímpia é bem mais longa. Pequena e turística, Olímpia tem como chamariz os resorts com águas termais. Foi lá que Geninho Zuliani (União Brasil) bateu 73% dos votos em sua reeleição em 2012.

Escolhido pelo atual governador Rodrigo Garcia (PSDB) para dividir a chapa na corrida à própria cadeira, Geninho fez um pacto com o governador: enquanto Garcia visita as cidades com mais de 100 mil habitantes, o vice vai às que têm de 50 mil a 100 mil, o que inclui sua cidade natal.

“Como eu sou deputado federal hoje e me elegi com votação em mais de 400 municípios, eu tenho toda a região Noroeste que é minha base, então não é só a cidade de Olímpia”, diz.

Segundo ele, 80% do trajeto que percorre é de carro para “gastar o mínimo possível”, mas alguns deslocamentos acontecem em pequenos aviões. Geninho tem cuidado também do diálogo com vereadores e prefeitos de cidades menores, além de representantes da área de saneamento básico e turismo.

Minas: o ombudsman, o clínico geral e o mensageiro militar

Para o vice na chapa favorita em Minas Gerais, vale a máxima de que casais que dormem em quartos separados convivem melhor.

“A gente só se encontra se precisar fazer imagens ou se tem uma reunião para discutir algum tema técnico da campanha. Eu acho que, desde o começo da campanha, eu encontrei o governador duas vezes. [...] A gente convive muito bem junto, mas pelo visto o casamento está sobrevivendo às camas separadas”, brinca o professor Mateus Simões, ex-secretário e agora vice na chapa de Romeu Zema, ambos do Novo.

Com 58 cidades e 7 mil quilômetros rodados desde o começo da campanha, nas contas dele, Mateus tem atuado como uma espécie de “ombudsman” ou “ouvidor” de Zema, tendo conversas mais profundas com prefeitos, setores e a população em si, mas sempre distante do cabeça de chapa. Ele conta que, dos 853 municípios do estado, a coligação tem o apoio de 604 prefeitos.

“Ele [Zema] me fez um pedido e a gente fez uma divisão com base nisso que tem um pouco a ver com o fato de ele estar com muita limitação nesse período eleitoral. Isso me levou a fazer as conversas com os prefeitos. Eu rodo”, diz.

Ele afirma que são reuniões de trabalho, para avaliar o que está faltando, o que pode ser feito e como estão vendo a eleição. “Eu sou o homem do despacho dos temas do dia a dia.”

Deputado pela quinta vez, o líder da oposição na Assembleia Legislativa de Minas foi o escolhido do principal adversário de Zema, Alexandre Kalil (PSD), para compor a chapa.

André Quintão, do PT, tem usado o conhecimento sobre o que considera ser os problemas da gestão Zema para buscar o eleitorado. “Eu tenho uma experiência legislativa, sou líder da oposição na assembleia, então nós temos também um diagnóstico do estado. A gente tem conversado sobre as omissões do atual governo e apontado perspectivas”, conta.

Com base nesse “diagnóstico”, Quintão tem sugerido que “órgãos” do governo estão com problemas e promete cuidar de todo o “corpo”: do regime de recuperação fiscal aos impactos de eventuais privatizações, passando pelo orçamento das políticas públicas sociais.

Seu papel é quase como de um “clínico geral”, ou, como ele prefere definir, um médico “polivalente”. Ao lado de Kalil na maior parte dos compromissos, ele também tem explorado regiões onde o PT tem votação mais expressiva, como o Vale do Jequitinhonha.

“O mais importante na campanha é o candidato, o candidato é insubstituível. [...] Eu vejo o vice muito mais como um colaborador onde ele pode e onde tem experiência maior”, diz Quintão.

Recrutado para dividir a chapa com o senador Carlos Viana (PL), o coronel Wanderley Amaro (Republicanos) tem andado um pouco mais separado do cabeça de chapa, com foco em cidades não tão grandes.

“Em algumas cidades onde a representação é média eu estou indo. Não é porque é melhor ou pior, é que é impossível que ele vá em todas as cidades. E ficaria muito cara uma campanha assim”, explica.

Mensageiro do plano de Viana para o estado, o militar tem percorrido o interior de Minas. “Há três dias eu passei por Ipatinga, depois Governador Valadares, fui em Teófilo Otoni, voltei em Governador Valadares. A gente passa, conversa com as lideranças”, conta.

As conversas vão da batina à farda: “Tenho conversado com o seguimento cristão, seja católico ou evangélico, ou qual religião for. Tenho conversado com a segurança pública no geral, não é só PM, aí entra a polícia penal, polícia civil, bombeiros, guardas penais, socioeducativos... E tenho conversado também com lideranças comunitárias”, diz.

O militar aponta que a credibilidade da política está abalada e diz que usa o mesmo discurso, independentemente do figurino e do perfil dos ouvintes. “São as nossas propostas para todas as áreas e os nossos princípios”, afirmou à CNN.

Rio de Janeiro: confronto de três gerações

No terceiro estado maior colégio eleitoral, a disputa entre candidatos ao governo se concentra na mesma geração, enquanto a disputa dos vices tem um choque entre elas.

Com 43 anos, o atual governador Cláudio Castro (PL) enfrenta Marcelo Freixo (PSB), que tem 55, e Rodrigo Neves (PDT), com 46. Se entre eles a diferença de idade é de 12 anos, entre os vices chega a 42 ― o que, naturalmente, se reflete no papel dessas peças nas campanhas.

Há, no entanto, um ponto em comum: a caçada pelos eleitores da capital, que tem nada menos que 5 milhões de eleitores de um total de 12,8 milhões no estado, o que equivale a quase 40% dos votos em disputa no Rio de Janeiro.

O novato Thiago Pampolha (União Brasil), 35, foi escolhido pelo partido dele para a chapa de Cláudio Castro depois de o TRE-RJ barrar a candidatura do ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB), condenado por crime ambiental e, consequentemente, ficha suja.

Parte da campanha vê Pampolha como um quadro mais jovem, mais próximo de Castro e com presença eleitoral na zona oeste da capital. Embora a campanha considere ter uma vantagem sobre Freixo e Neves na Baixada Fluminense, seu calcanhar de Aquiles está na capital.

“A zona oeste decide uma eleição”, defende Pampolha. Deputado estadual, ele calcula ter tido 25 mil votos na região. A estratégia, agora, é levar Castro para o reduto e tentar vencer o desconhecimento.

“O fato de a gente estar empatado na capital, oscilando, é o desconhecimento ainda do governador. Ainda falta as pessoas reconhecerem o Cláudio”, diz.

Ex-secretário do Meio Ambiente, ele busca ainda os votos no setor da proteção à fauna e flora brasileiras. “Acho que essa é uma área que realmente nós vamos desconstruir as outras candidaturas que estão mais à esquerda. Nós somos centro e centro direita”, completa.

“Freixo comanda e define as minhas tarefas”, diz à CNN o ex-prefeito César Maia (PSDB), de 77 anos. Ele é vereador e foi deputado federal e prefeito da cidade do Rio de Janeiro por três mandatos. Ainda assim, tem mostrado fidelidade e compromisso com o cabeça de chapa, que veio de outro espectro político e é só três anos mais velho que o filho de César, o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (PSDB), de 52 anos.

Maia pai afirma que a intenção dele é semelhante à de Pampolha: buscar votos “especialmente na capital”, onde foi três vezes prefeito. Mas, para além disso, aponta um setor que pode ter particularmente gostado da composição de Freixo com um representante de um campo político mais à direita: os funcionários do estado.

Advogado e ex-presidente nacional da OAB, aos 50 anos Felipe Santa Cruz (PSD) se tornou o vice na chapa de Rodrigo Neves (PDT) depois de uma extensa discussão para decidir quem encabeçaria a dobradinha. Neves foi prefeito de Niterói, na região metropolitana, e Santa Cruz faz sua estreia na política partidária com um padrinho de peso: o atual prefeito do Rio, Eduardo Paes. (PSD).

“Até por eu ser representante do grupo do prefeito Eduardo Paes na chapa, o foco maior da minha atuação é tanto a capital, área que o nosso grupo é mais forte, e alguns municípios do entorno onde temos candidatos fortes”, conta Santa Cruz à CNN.

Ele diz que tem conversado com setores ligados aos direitos humanos, à segurança pública, à luta das mulheres e ao movimento negro. Embora sejam movimentos de afinidade com Freixo, ele diz não ter encontrado resistência.

“Tanto eu quanto o Rodrigo temos uma história de vida de muita ligação com os movimentos sociais. Em relação ao Marcelo Freixo, esses movimentos estão avaliando qual é o projeto que tem mais viabilidade de derrotar o bolsonarismo no segundo turno”, afirma.

Bahia: currículos distintos na corrida

Para quem acha que enfrentar uma campanha eleitoral é um desafio profissional como qualquer outro, a publicitária e empresária Ana Coelho discorda. “Minha rotina está um caos, minha vida deu uma cambalhota com essa campanha”, disse à CNN.

Mãe de três filhos, a vice escolhida pelo Republicanos para compor a chapa do líder nas pesquisas, ACM Neto (União Brasil), ainda é triatleta na modalidade Ironman. Tendo viajado por mais de 100 cidades da Bahia, ela destaca o esforço físico da campanha.

“Eu brinco que estou vivendo mais tempo com eles do que com a minha família, mas é verdade. A gente passa o dia inteiro juntos, 20 horas. Tenho dormido quatro a cinco horas por noite”, diz.

Ex-diretora de uma televisão local, a empresária de 40 anos considera ter perfil “complementar” ao do cabeça de chapa. “O meu papel é trazer a experiência da vida executiva e da iniciativa privada”, diz.

Mas a escolha do nome de Ana fez surgir críticas de que essa seria a “chapa dos herdeiros”, já que o avô de ACM Neto sucedeu o tio de Ana, Nilo Coelho, no Palácio de Ondina no início dos anos 1990. Se os parentes eram adversários, Ana e Antonio Carlos estão mais unidos do que nunca. “A gente não dividiu território”, conta.

Na contramão da estreante, Geraldo Júnior (MDB), escolhido como vice na chapa de Jerônimo Rodrigues (PT), acumula vasta experiência na política. Ele trabalhou com o ex-prefeito de Salvador Antônio Imbassahy (PSDB) e com o deputado Jurandy Oliveira (PSB). Depois, conquistou uma cadeira na Câmara da capital baiana, onde foi galgando postos até virar presidente.

“Em Salvador, então, é uma festa de obras e serviços para os soteropolitanos. Todas as obras estruturantes da cidade foram feitas pelos governos Wagner e Rui. São policlínicas, viadutos e o maior programa de encostas, como 90 obras já concluídas”, defende.

Jaques Wagner (PT) e Rui Costa (PT), juntos, comandaram a Bahia por 16 anos. É a hegemonia do PT que os oponentes tentam romper. O tamanho do estado dificulta o percurso.

“Não tem como cobrir territorialmente o nosso estado em 45 dias de campanha”, defende Júnior. “Por esse tempo curto tivemos que elaborar um plano para que possamos atingir o maior número de pessoas, levando nossas propostas, conversando e ouvindo os baianos. Jerônimo e Otto [Alencar] estão indo para os municípios levar o nosso programa. Eu fiquei em Salvador coordenando as ações na capital e na região metropolitana de Salvador”, conta.

Entre urgências e emergências da campanha de João Roma (PL), a enfermeira Leonídia Umbelina, prestes a migrar para a medicina, atendeu a reportagem da CNN. Foi no PMB que o ex-ministro de Bolsonaro buscou sua companheira de chapa, uma escolha que ele diz não ter sido um acerto partidário pelo “engajamento voluntarioso” na campanha.

Prestes a pegar seu registro no Conselho Regional de Medicina para mudar de área, depois de ter atuado como enfermeira ao longo de 30 anos, Leonídia vê semelhanças entre as funções que a vida lhe entregou.

“Na política ou na saúde, a minha especialidade é cuidar de gente. Como o ser humano é um ser holístico, nós vamos cuidar tanto do biológico quanto do social e do espiritual”, defende.

Entre grandes eventos e chás de mulheres, Leonídia tem o objetivo de cuidar do voto evangélico, levando debaixo do braço as propostas de campanha e as palavras de Deus em interlocução direta com os pastores.

“Como eu sou também pregadora, dou a palavra de Deus, e eles querem conhecer as propostas e eu vou esclarecendo”, diz ela que pertence à Frente Evangélica Brasileira. A vice de Roma tem ainda o trunfo de vir do segundo maior colégio eleitoral da Bahia, o município de Feira de Santana.

Fotos -- Os senadores e a senadoras em fim de mandato

Rio Grande do Sul: entre contrastes e a busca pelo equilíbrio

Uma reviravolta na campanha eleitoral pelo Palácio Piratini, no Rio Grande do Sul, acabou colocando na mesma chapa dois postulantes ao cargo de governador. Com a desistência de Eduardo Leite (PSDB) na corrida presidencial, ele reconsiderou as críticas à reeleição e se apresentou novamente como candidato.

Pelo acordo de aliança nacional, o MDB se viu obrigado a retirar o nome do deputado estadual Gabriel Souza, que acabou dividindo a chapa com Leite. “Até agora, praticamente todas as agendas que fizemos foram em conjunto. Sou do MDB, que é um partido que tem capilaridade no Rio Grande do Sul, então contribuo na ativação dessa malha partidária”, conta.

Maior partido do estado, o MDB tem 135 prefeitos (dos 497) e 1.200 vereadores no Rio Grande nas contas do vice na chapa de Leite, mas sua atuação como “promoter” da campanha vai além disso.

“Nós temos seis siglas coligadas e é claro que, para ativar essa rede, onde se inclui o MDB que é maior, a gente tem que ter uma organização. E eu apoio isso, não coordeno, mas apoio”, diz.

Ex-presidente da Assembleia Legislativa, ele preside uma reunião semanal do chamado “conselho político”, que tem a presença dos presidentes dos partidos coligados.

“A gente organiza a estratégia da agenda: onde vamos, como vamos, o que faremos em cada uma das cidades”, diz.

Mãe de cinco filhos, professora, servidora pública e vice-prefeita de Guaíba, Cláudia Jardim (PL) tem uma experiência bem diferente do deputado federal Onyx Lorenzoni, que passou boa parte da vida em Brasília, tendo sido chefe de cinco ministérios diferentes no governo Bolsonaro.

“Eu consigo também fazer esse acolhimento do dia a dia, daquilo que importa para as pessoas. Trago essa humanização para dentro da nossa chapa, esse equilíbrio de homens e mulheres terem voz ativa e estarem lado a lado”, diz.

A afirmação é literal. Eles ficam lado a lado em eventos, comícios e carreatas. “Às vezes um chega antes do outro, aí o que chegou antes aguarda o outro pra poder fazer uma entrada em conjunto para que as pessoas percebam que a Cláudia Jardim não é uma figura decorativa”, comenta.

Em uma atividade recente de mulheres pela “vida” e pela “família” em Novo Hamburgo, ela teve até mais destaque que o cabeça de chapa. “Aí já mudou um pouco o protagonismo, né? O Onyx já foi, assim, digamos, o coadjuvante”, lembra.

Para Pedro Ruas (PSOL), vice de Edegar Pretto (PT), as diferenças entre os dois “ajudam”. Ele é 16 anos mais velho que o cabeça de chapa e, por isso, vivenciou um período diferente na política gaúcha.

Ruas, de 66 anos, é dos tempos de Leonel Brizola, ex-governador do estado, morto em 2004. Já Pretto, 50, conviveu com os governos de Olívio Dutra e Tarso Genro, ambos do PT. Ele se sentou pela primeira vez na cadeira de deputado estadual na gestão de Genro. As diferenças, no entanto, não se limitam aos tempos políticos.

“Eu sou um homem das lutas urbanas, nasci em Porto Alegre, me criei aqui e tive sete mandatos de vereador na capital. O Pretto é um homem do interior, que vem das lutas do MST, do campo”, conta.

As diferenças se refletem nas agendas. Ruas fica com a região de Porto Alegre, a Costa Doce e a região mais próxima da Lagoa dos Patos, que vai até Pelotas. Pretto, com o interior. Entre setores da sociedade, Ruas diz que atua mais diretamente com sindicatos urbanos, servidores públicos, particularmente nas áreas de educação e justiça e a comunidade palestina, com quem diz ter “vinculação histórica”.

Veja as chapas mais bem colocadas nos 5 maiores colégios eleitorais do país:

  • São Paulo (34,6 milhões de eleitores)
  • Fernando Haddad (PT) / Lúcia França (PSB)
  • Tarcísio Freitas (PL) / Felício Ramuth (PSD)
  • Rodrigo Garcia (PSDB) / Geninho Zuliani (União Brasil)

 

  • Minas Gerais (16,2 milhões de eleitores)
  • Zema (Novo) / Professor Mateus (Novo)
  • Kalil (PSD) / André Quintão (PT)
  • Carlos Viana (PL) / Coronel Wanderley (Republicanos)

 

  • Rio de Janeiro (12,8 milhões de eleitores)
  • Cláudio Castro (PL) / Thiago Pampolha (União Brasil)
  • Marcelo Freixo (PSB) / César Maia (PSDB)
  • Rodrigo Neves (PDT) / Felipe Santa Cruz (PSD)

 

  • Bahia (11,2 milhões de eleitores)
  • ACM Neto (União Brasil) / Ana Coelho (Republicanos)
  • Jerônimo (PT) / Geraldo Júnior (MDB)
  • João Roma (PL) / Leonídia Umbelina (PMB)

 

  • Rio Grande do Sul (8,5 milhões de eleitores)
  • Eduardo Leite (PSDB) / Gabriel Souza (MDB)
  • Onyx Lorenzoni (PL) / Cláudia Jardim (PL)
  • Edegar Pretto (PT) / Pedro Ruas (PSOL)