Carlos Murillo diz que cláusulas criticadas pelo Brasil valem em 110 países

Em janeiro, Ministério da Saúde divulgou nota afirmando que as cláusulas da Pfizer para a venda de vacinas ao governo federal eram "abusivas"

Renato Barcellos, da CNN, em São Paulo

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 O CEO da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, foi ouvido nesta quinta-feira (13) pela Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia de Covid-19 e rebateu críticas feitas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e pelo ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello de que as cláusulas do documento para adquirir imunizantes da farmacêutica eram “abusivas” e “leoninas”. Na ocasião, o governo federal chegou a declarar que não aceitaria “imposições de mercado”.

“Não concordo com esse posicionamento, nem com esse indicativo de cláusulas leoninas. Nesta pandemia, a Pfizer, numa situação sem precedente, queria que todo mundo colaborasse com esse processo. Por isso, definiu para todos os países as mesmas condições que fez ao Brasil”, afirmou.

Murillo ressaltou que, tirando mudanças regionais nos acordos, o contrato que foi sugerido ao Brasil é o mesmo assinado por outros 110 países e afirmou que nenhum desses países contestaram as cláusulas do contrato que se referem à responsabilização pelos efeitos colaterais da vacina. 

“As condições que a Pfizer procurou para o Brasil são exatamente as mesmas condições que a Pfizer negociou e assinou, neste momento, com mais de 110 países no mundo.[…] Do ponto de vista de nossa consistência internacional, dada a situação da pandemia, dado nosso processo de desenvolvimento da vacina, essas foram as condições negociadas e aceitadas por 110 países com quem hoje a Pfizer tem assinado o contrato”, disse.

No dia 23 de janeiro de 2021, o Ministério da Saúde publicou uma nota afirmando que as cláusulas da Pfizer para a venda de vacinas ao governo federal são “abusivas”. “A pasta segue em negociações com o laboratório, apesar de cláusulas consideradas abusivas estabelecidas pela empresa”, diz um trecho da nota.

Ainda de acordo com o representante da farmacêutica, a empresa estava pronta para oferecer o imunizante assim que as autorizações estivessem prontas.   

CEO da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo
CEO da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

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